quinta-feira, 5 de maio de 2011

Este espirito ainda é livre...


Hoje estávamos na aula de Castelhano a discutir entre a opção de arrendar casa e a opção de comprar.
Pouca gente percebe a minha opção de arrendar...bla bla bla deitas dinheiro à rua por uma coisa que não é tua, bla bla bla não tens nada em teu nome. Cansam-me com argumentos desses cada vez que eu digo que alugo em vez de comprar.

Claro que podia aqui enumerar 101 razões para argumentar que a minha escolha é a certa, mas no fundo, se excluirmos as razões monetárias que comprovam que comprar hoje em dia é um péssimo investimento e tendo em atenção que a casa realmente não é de ninguém que compra, é do banco, acho que é uma opção pessoal de cada um.

Para mim, e este é o ponto que vale, a minha escolha pessoal, eu arrendo para ter a opção de me ir embora quando quiser. Acho que quando tiver marido e filhos, compro uma casa, mas por enquanto quero deixar as minhas opções em aberto. No dia em que me apetecer, arrumo tudo, ponho a mochila às costas e vou-me embora, sem qualquer tipo de responsabilidade.
O R. olhou para mim quando eu terminei o meu rol de razões para arrendar e não comprar com esta frase, e disse "conserva-te com esse espírito. Quem me dera, já perdi o meu há que tempos..."

Tenho pensado nesse espírito mais do que se calhar seria conveniente (era o que o meu pai me diria), cada vez que reparo na mesquinhez das pessoas, na importância que dão a coisas que não tem importância nenhuma, quando esmiúçam a vida dos outros a referirem como são melhores, aos julgamentos em praça publica daquilo que os outros sentem...ponho-me a pensar senão seria tanto ou mais feliz numa praia com chinelo no dedo o dia inteiro a vender bikinis e pranchas de surf?!

Lembro-me de pensar há uns anos, como era impossível sair da cidade, como devorava a Vogue e desejava ter coisas daquelas a jorros, como adorava os hotéis de 5* a que ia e as guest list em que estava, como passava tarde às compras e dormia até as 14h se me deixassem todos os dias e achava que aquilo é que era vida. Se calhar sou só eu que estou diferente, mas quando olho daqui para a frente, cada vez mais sinto que era capaz de ser feliz de qualquer maneira, sem grandes coisas materiais, a ver coisas novas, a aprender, a ler, perder-me noutra pessoa...

Ainda tenho o espírito. Não o quero perder!!

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