quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Coisas que me alegram


















Ir a New York no Natal!


quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Das coisas da vida

Tenho estado tão preocupada com tudo o que a morte do meu avô significa em termos de responsabilidade, que ainda nem consegui fazer o luto.

Noites sem dormir, problema atrás de problema, uma responsabilidade que, com esta idade ainda não devia ter, números e contas, voltas e voltas a pensar como vou conseguir pagar tudo, mas e chorar? Lembrar-me da nossa história juntos, dos bilhetes, dos passeios, dos almoços, das tardes passadas debaixo do sol alentejano, das mãos grandes sempre calejadas, das buzinadelas a anunciar a sua chegada, das esperas á porta de casa quando era adolescente...isso ainda não fiz.

Ao ultimo dos meus avós, como eu queria apenas chorar a tua morte sem mais nada. Desculpa por ainda não o ter feito.

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Sonhos

Mesmo quando não me lembro deles, sinto-os até aos ossos.

quinta-feira, 19 de julho de 2018

Teenage Dreams

Os teus sonhos adolescentes podem muitas vezes assombrar a tua pacifica existência.
Podemos fugir de muita coisa, praticamente tudo, mas não da nossa cabeça. 

Eu disse que este luto ia ser uma montanha russa. Estava certa.

sexta-feira, 13 de julho de 2018

Sándor

Ele há livros...

"I am a woman: both criminal and master detective, both saint and spy, everything at once when it comes to the man I love. I'm not ashamed of it."

"Passionate souls like yours are proud and suffer greatly."

"I knew right then that it wasn't I who had decided a course of action: the action had decided me."

"I don't believe in tears. Pain is silent and sheds no tears"

"Because is not true that suffering purifies people; that we become better, wiser, more understanding in the process. We become cold and indiferent. When, for the first time in our lives, we properly understand our fate, we become calm. Calm and extraordinarily, terrifyingly lonely."

"...as I knew it, even without the words, because I did not yet have words for things in life...The right words always come too late and we pay a terrible price for them".

Melhor só em português.

Ainda sobre o mesmo tema

O luto não é um período fixe, mas o tempo ajuda a melhorar tudo.
Os primeiros dias são uma corrente continua de agua, que não deixa nem respirar. Com o tempo a dor vai vindo em ondas, umas conseguimos passar por cima, outras afundam-nos por completo. Com mais tempo,  apenas a onda ocasional nos deita abaixo.

Para mim a dor do luto é a ausência, o vácuo, vazio. Quando nos habituamos há ausência começamos a vir à tona de agua, voltamos a respirar.

Para algumas pessoas, todos estes sentimentos por animais podem parecer exagerados. Para mim ele fazia parte da família e dai não há volta a dar.

Dor é dor. Ponto.

domingo, 8 de julho de 2018

1 ano


Amor. Alegria. E medo.



sexta-feira, 6 de julho de 2018

Another day

Terceiro dia.
Fiz yoga no meu tapete picotado, 60 minutos inteiros sem um gato passar no meio das minhas pernas a pedir mimos. Devia ter percebido que ele não estava bem pelas ausências no tapete no ultimo mês...

Sinto-me emocionalmente desequilibrada. É melhor apertar o cinto, os próximos dias vão ser uma montanha russa.

quinta-feira, 5 de julho de 2018

Dexter

Segundo dia hoje. O meu gato morreu há dois dias, ou melhor dizendo, eu tive de matar o meu gato há dois dias (se é que faz alguma diferença, já nem sei). Num momento estava aqui, deitado à janela e de repente já não estava mais. 
Um vazio cá dentro. Um vazio na casa, na janela da casa de banho, no silencio atrás da porta fechada, na caixa de transporte ainda no hall de entrada. Uma dor horrorosa que não tem por onde fugir sem ser pelos olhos.

Os animais são família, conforto nos dias tristes, risadas, ronronares a meio da noite, mimos no sofá. A nossa vida em conjunto foi feita de momentos especiais (levei-o para o meu casamento, afinal de contas!) e de quotidianos, atividades repetidas de aparente pouca importância, mas que na soma de todos os momentos, os que mais me vão trazer saudade.

Sabia que este dia ia chegar, os animais vivem sempre menos em teoria, mas achei que tinha muito tempo (um erro quase comum), muito mais tempo do que o que tive, isso é certo. Os gatos duram pelo menos 15 anos, este tratado a sopas e pão de ló, duraria certamente 18 ou mesmo 20...que erro tão crasso! Um gato como o meu não poderia durar tanto, não seria natural. Um gato que mais parecia um cão de tão bonzinho que era, que nunca mostrou as unhas, ou bufou, não era um gato comum. Era o meu e por azar era doente.
Ele tinha de morrer cedo. Um gato tão querido não podia durar muito.

Tive um ano para me preparar para a morte dele e não estava preparada. Não quis pensar sobre isso, recusei-me a ver o óbvio, que acontecia todos os dias diante dos meus olhos. Uma prostração anormal, um cessar de qualquer tipo de brincadeiras, a ausência constante no tapete da sala.
Só espero não o ter feito sofrer. Só espero que a minha teimosia em mante-lo vivo, á base de comprimidos e biscoitos dados na boca se tivesse de ser, não o tenham atormentado até ao fim.

E agora olho para os sítios onde ele costumava estar e ele não está. Olho para a arranhadela que ainda tenho no braço, a ultima feita na despedida sem querer, e penso que nunca mais o vou ver.  A garganta fechasse neste nó de tristeza que só sai quando sair, porque a tristeza é assim mesmo.

Hoje pedi para tirarem e limparem as coisas dele daqui de casa. Não o conseguia fazer eu. E então hoje pela primeira vez, cheguei a uma casa sem vestígios de gato, sem comida espalhada pelo chão, pedras soltas e pelos pelo ar. E confesso, não queria chegar a esta casa, queria chegar a minha casa e a a minha casa tem um gato. Ponto final.

O animais fazem parte da família e o meu foi a coisa mais querida do mundo. O melhor gato que poderíamos ter tido. Só queria que o tivéssemos tido mais tempo. Só isso.
Mas como não tivemos, agradeço todos os ronronares, todas as lambidelas às 6 da manha, todos os olhares (pouco) ferozes quando o escovava, todas as vezes que me deitei no chão a dar-lhe festas na barriga e que sai atrasada para ir trabalhar. Agradeço ter-me deitado no chão todas as vezes e ter brincado tudo o que podia. Agradeço não o ter enxotado da cama porque era cedo, não ter fechado a porta para fazer xixi em paz e não lhe limitar o espaço.
Agradeço tudo na verdade, porque depois da tristeza passar, o amor vai ficar. E esse ninguém mo pode tirar.

segunda-feira, 25 de junho de 2018

Treino

A minha gravidez teve destas coisas:
a) medo de treinar e perder o bebe
b) medo de ficar com problemas nas articulações dado que tudo no corpo fica solto em preparação para o parto
c) medo de estragar os músculos abdominais
d) preguiça geral

Com tanto medo (justificado ou não, não sei) e com tanta preguiça o certo é que tive praticamente um ano e picos sem fazer nada de desporto, o que já não acontecia desde 2002.
Depois do M. nascer decidi contratar uma PT especializada para me tirar os medos...e ela conseguiu. O medo saiu mas a preguiça ficou. E com ela o atrasar de voltar a treinar todos os dias com desculpas como a falta de tempo, trabalho, coisas da casa, e outros. Tudo serve de desculpa quando não se quer.

Há um mês, mais coisa menos coisa, comecei a perceber que ou fazia as coisas a serio e me prioritizava, ou que tentar ir ao ginásio 2 vezes por semana e depois não ir outra semana, nunca iria voltar à minha velha forma.
E como eu quero a minha velha forma! Não posso aceitar, nem baixar os braços e achar que este corpo vai ficar assim...fora de questão. E não é só a questão estética, gosto mais de mim agora com estes quilos todos a mais do que gostei a vida inteira, mas o impacto de parar o desporto sentiu-se em tudo. Na gordura acumulada na barriga, nos problemas de circulação que nunca tive, na celulite em sítios que não é suposto ter. Não quero! Nunca fui magra, nem preciso de ser magra, mas gosto de estar em forma, de treinar com os rapazes e fazer-lhes frente, de chegar chegar com as mãos ao chão e ser flexível, de subir as escadas e não ficar a arfar.

Então comecei com duas regras básicas: nunca fico mais de 2 dias sem treinar e tenho que tentar todos os dias fazer qualquer coisa (andar a pé,  Yoga no tapete da sala, o que for).
Tudo a correr sobre rodas, a bem da verdade treinar nunca foi o eu problema. Adoro!

O meu problema agora (e como sempre) é a comida mesmo. A balança. O peso da gravidez que não me larga nem por nada. E mesmo não comendo açucar, nem gorduras, nem álcool, nada (a meu ver) que dê para engordar, a verdade é que de momento (e posso culpar a idade por isto), também não dá para emagrecer. Está maravilha de ser a melhor da minha turma em manter o peso e engordar, mas péssima a emagrecer.

Por isso vou ter de fazer disso uma prioridade. Assim que a questão do treino estiver bastante oleada e sem necessidade de esforço já vou passar para a questão da comida. Para mal dos meus pecados porque odeio fazer dieta, pesar comida, contar calorias, passar fome.
Infelizmente para mim, de outra maneira, não funciona. Comer saudável e deixar o peso ir-se perdendo, não resulta, fico na mesma e não perco nada. Raios!!

domingo, 24 de junho de 2018

Priceless

O momento em que estás a fazer uma revisão ao teu armário e decides passar para a gaveta da roupa de dormir algumas peças que já usaste como vestido.

Parar para pensar, e descobrir que, de todas as vezes que tinha rasgos de alta auto-estima, e usava sem pudor, vestidos (claramente) demasiado curtos, uma historia daquelas para contar, acontecia. O poder de um vestido preto, não pode jamais, ser negligenciado.

Se eu tivesse a auto-estima que tenho hoje, há 10 anos atrás tinha-me divertido (ainda) mais.

Crise de meia idade?

Perdi a cabeça, estou a virar loura.
Quando chegar a Marilyn comunico.

sábado, 23 de junho de 2018

Playlist

Só toca em português nos últimos dias.
Quando mais quero agarrar a minha língua mais ela me foge.
Areia entre os dedos, misturada com a terra que é o inglês.
Coisas que já soam melhor por Shakespeare do que por Camões. Não quero e não sei sequer se tenho escolha.

sexta-feira, 22 de junho de 2018

Anthony, Oh Anthony


Sobre o suicídio do Anthony Bourdain:
Não posso tolerar, nem aceitar, nem perceber, nem perdoar, nem relevar, nem encontrar culpados ou culpadas e nem tão pouco desculpas. Ele matou-se e literalmente tudo o que ele fez morreu.
E para mim ele não deixou nada. Ou melhor, deixou uma filha e uma mãe que tem de explicar a essa criança que ela é tão pouco importante, que o pai tirou a própria vida e não pensou sequer no que isso ia fazer a dela.
E irrita-me porque eu adorava o Anthony. Foi o livro dele o primeiro presente que o meu marido me deu, foi ele que nos fez correr cidades à procura daquele restaurante, foi graças a ele que comi o melhor mil-folhas da minha vida, foi ele que nos fez sonhar no sofá sobre os sítios que íamos (e vamos) ver e toda a questão do suicídio é uma completa estupidez.
E eu sei que a depressão é uma doença real, mas no final das contas feitas, para mim, é só mais um pai que pensou mais nele do que na filha, e isso não consigo aceitar.
Se o desculpar a ele tenho que desculpar a minha mãe também, e quase 14 anos depois (da tentativa falhada), ainda não me sinto preparada para a perdoar. Sinceramente, nem sei se algum dia me irei sentir.
E eu sei que perdoar ou simplesmente aceitar e tirar isto de dentro de mim, só me daria paz. A paz com que vivo diariamente e que durante dias que foi perturbada, simplesmente porque alguém que eu admirava se matou. Mas não consigo. E por isso, o Anthony teve de morrer de vez, não só em sentido literal (óbvio) mas em sentido figurado também.
Não quero saber os porquês, não quero ver os programas, não quero ler os livros, não quero fazer as receitas. Não quero celebra-lo na morte porque já não o acho digno de admiração.
Claro que vejo a minha própria injustiça nestas palavras e por isso, o facto dele ser de alguma maneira imortal, sossega-me. Posso um dia mudar de ideia e ele ainda vai lá estar em toda a sua genialidade, a mostrar-me o mundo e a atiçar em mim a vontade (continuamente latente) de por a mochila as costas e ir conhecer o mundo. Mas esse dia ainda não vai ser hoje...

Aborrecimentos

Esta sensação de não saber bem o que é, mas ser alguma coisa, não me larga. Um aborrecimento latente derivado a uma agenda estruturada, um dia após o outro. Tudo pensado, tudo organizado.
A ironia de ser exactamente esta organização que me permite ter tempo para estar aborrecida e ter ao mesmo tempo este doce amargo na boca.
Preciso de algum espaço controlado para o imprevisto. Preciso de criar alguma coisa, trabalhar na minha criatividade, deixar o meu outro lado solto no sitio onde ele deve ser solto, e não somente à solta.
Preciso de não me descuidar do meu lado direito, de lhe dar espaço e não tentar afoga-lo em agendas organizadas e dias estruturados, mas por estes dias, o meu trabalho é estruturar. É nisso que eu sou boa. Dar uma direcção aos outros, indicar-lhes o caminho e faze-los chegar onde eles nunca pensaram antes ser possivel.
E quanto mais eu organizo, mais o outro lado gritar. Mais as minhas asas se agitam contra a gaiola, mais o espartilho me aperta, e mais aborrecida eu fico.
A solução é escrever, pintar, inventar, criar e dar algum espaço para o imprevisto. A solução é começar a escolher o destino das férias, ansiar por sexta feira porque o fim de semana vai ser diferente, ter conversas imprevistas com amigos e não deixar o outro lado tão frustrado que o leve a fazer coisas parvas. Deus sabe como o meu outro lado gosta de saltar para o desconhecido, rir-se face ao perigo, ter comportamentos irracionais e agir estupidamente andando em círculos sem nexo só para sentir que não está no mesmo sitio.
Por isso vamos dar-lhe o que ele precisa antes que ele venha e tire. Maldito cérebro.