segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Reality your bitch

Fácil julgar: “ele é um bocado estranho”, “diferente”, “sempre despenteado”...
Vários comentários ou às vezes só olhares, sorrisos de escárnio, abanares de cabeça.

Sim, concordo com o diferente e nunca pensei no assunto mais do que dois minutos até hoje.
Levantou o braço numa reunião, o relógio caiu e por baixo estava lá, marcada no pulso uma cicatriz longitudinal pelo pulso abaixo.

A realidade tem maneiras certeiras de nos atingir. Hoje pensei mais do que 2 minutos sobre o que significava ser diferente. As pessoas andam a nossa volta e nós não sabemos nada do que se passa ou passou lá dentro.

Numa qualquer altura da vida, esta pessoa decidiu que não queria mais viver e hoje está aqui, a viver esta vida tão semelhante a minha.

Não me devia espantar, também eu já fui uma pessoa que não sou mais. Mas espantou, pôs-me a pensar em quantos demónios andam por aí sem que nós demos por isso.

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Do luto e a sua permanência em nós

Deve ser por estar longe, mas às vezes esqueço-me que a minha avó já morreu.
É como senão a visse porque estou aqui e não porque ela morreu. Durante o tempo de 2 ou 3 pensamentos não aconteceu, vou-lhe dizer o que estou a pensar em breve, vou estar com ela em breve...
Como agora, da minha infância veio a memória a Praça de Londres, passei para a igreja São João de Brito, e daí para ir à missa com a minha avó, até que...não, não vai acontecer.
Acontece cada vez menos mas ainda acontece e não sei quando vai deixar de acontecer, e me vou esquecer simplesmente de quando ela era viva. 
Podia fingir que isso nunca vai acontecer dado o amor que eu tinha por ela, mas sei que não é verdade. Demora mais ou menos tempo mas o próprio tempo absorve o amor, o que vivemos juntas e até a dor. No final, seja ele quando for, fica a aceitação de que a morte leva tudo, menos uma lembrança indolor que acarinhamos de tempos a tempos.

Curtas

Nothing says blast from the past as Carolina Herrera 212.

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Como sempre

Saudades de escrever, de me sentar a jogar conversa fora comigo mesma e passar depois horas a ajeitar o texto, mudar as palavras de ordem, cortar sem dó nem piedade parágrafos que são meros apêndices. Saudades de ter tempo para escrever.

Voltei ao trabalho há mais de um mês. Nas primeiras 3 semanas fui novamente um joguete nas mãos do tempo (coisa que odeio). A correr de um lado para o outro, entre o open-space, a sala de amamentação e o sofá da minha sala, num jogo que coordenação que me tirava toda a energia para pensar no que quer fosse exceto o M. e o trabalho.

Luckly enough, fui promovida. Ato de extrema simpatia da parte da minha entidade empregadora. Parecendo que não, ser reconhecida pelo meu trabalho e dedicação é uma das razões pelas quais adoro estar aqui. 

O M. cresce todos os dias a um ritmo que quase não consigo acompanhar. Continuo a aprender a ser mãe dele e ao mesmo tempo concilia-la comigo. Descobri que todos os livros que li durante 9 meses são apenas guidelines, similares aos livros que lemos na faculdade. Na pratica, temos que nos adaptar constantemente. Há dias em que está tudo controlado e há dias em que apenas se sobrevive.

A quantidade de amor, essa sim chocou-me, não estava a espera. O amor esmaga-te de tal maneira que ás vezes parece que todos os outros sentimentos desaparecem. Eles estão cá, eu sei, mas neste momento ainda estão a levar com o brilho fortíssimo que o M. emana e que eu ainda não consigo absorver rápido o suficiente para deixar ver os outros sentimentos. Ter um filho pode, sem duvida, gerar sentimento suficiente para colmatar toda a ausência de outros sentimentos, disso tenho agora a certeza. Não é saudável, mas é possível.

As chaves são:
Equilíbrio, o balanço delicado entre ser mãe e ser mulher. Eu preciso de tempo, preciso de estar comigo, de ir ao ginásio, de ter as unhas arranjadas a depilação feita. Preciso de ler e de escrever, de ver a minha série e de conversar com adultos, de aprender Holandês e ter side projects. Ter tempo é o desafio do momento. Tirar tempo ao trabalho não é inteligente, tirar ao sono não é sustentável, tirar à família não é aconselhável e tirar-lo ao M. é simplesmente impossível.
Eventualmente hei-de conseguir ter a minha vida equilibrada novamente.

Adaptação. Quando achas que a rotina está estabelecida, as noites estão boas, e está tudo equilibrado, pumba! dentes!, ou pumba! cólicas!, ou pumba! growth spur!, ou pumba! eczemas!
Nada é estático, está tudo constantemente a mudar, a evoluir, todos os dias. Para uma control-freak como eu esta extrema flexibilidade pode levar à loucura.

Aceitação, a melhor palavra. O que me faz levar calmamente quando ele acorda novamente a meio da noite (por uma razão diferente da anterior, que eu já tinha resolvido), que me faz não stressar por ter de alterar os planos 5 minutos antes dos acontecimentos.
Quando aceitas que nem todos os dias vais conseguir fazer tudo o que querias, que há dias que tens de te deitar as 21h, que uma Vogue demora um mês inteiro a ler, que tens de ter ajuda, a vida corre melhor. Estar permanentemente a lutar contra coisas que são como são é pouco inteligente e certamente leva a depressões sérias.

Não tenho exatamente uma deadline para conseguir tirar isto de letra. Os desafios são enormes porque a vida, como ela era acabou, desapareceu e não vai voltar. E habituarmos-nos a isso custa, tanto a mim, como ser individual, como a nós casal.

E com isto foram 2h inteiras. Uma tirei ao trabalho e a outra ao sono. Começar a trabalhar as 7h da manha tem as suas vantagens, mas começa a doer quando se chega a 5a feira.

domingo, 20 de agosto de 2017

Finalmente

Aparentemente o blogger não funciona bem numa versão qualquer do iPhone. 
Eu com tanto para partilhar e sem conseguir.

Parecendo que não já passaram 6 semanas desde que o M. nasceu. Semanas sem computador e sem tempo. Tempo esse que tomou agora uma nova dimensão. Sou um joguete na mão do meu filho recém-nascido; ele é prioridade primeira, o que faz com que haja dias que as 15h ainda não comi e que banho é quando dá. 
Não há queixas aqui, há constatações.
O meu Eu mãe adora cada segundo, cada nova coisa que ele faz, cada olhar doce que ele me dirige.
O meu Eu pessoa por vezes colapsa. Lágrimas e soluços que mostram que ser mãe é muito importante mas a nossa individualidade também. Creio que eu serei daquelas mulheres que nunca poderá ser só mãe, por mais que ame o meu filho. Preciso do meu duche diário, de me arranjar e por maquiagem, de sair à rua e falar com adultos sobre temas que não sejam bebes. 
Preciso disso para me equilibrar, para sentir vontade de voltar para casa e ser mãe mais não sei quantas horas até a altura em que me apetece uma pausa novamente.
Foram 6 semanas de mudança, de por vezes não me reconhecer, de choros, revoltas e dificuldades. Semanas de um sentimento crescente de amor infinito, de um quente no coração que não consigo descrever, de arranjar forças quando o corpo só quer colapsar e dormir 2 dias seguidos, de não deixar de fazer o que acho que é melhor para ele, mesmo sabendo que seria mais fácil. 
E claro não sei sequer se posso ou devo falar do medo. Ele voltou, sentou-se aos pés da minha cama com aquela cara que diz "tudo pode acontecer a qualquer altura, quando menos esperares". Tento com todas as minhas forças racionalizar este medo irracional de tudo e de nada, mas creio que a melhor estratégia é apreender a viver com ele. Desde que soube que estava grávida o medo só se tornou cada vez maior, grande e gordo alimenta-se de todas as histórias terrificas, que vamos tendo conhecendo todos os dias. Finjo que ele não está lá para toda a gente, e em determinadas alturas até para mim. Mas ele está e é mais uma coisa com a qual vou ter de apreender a viver.

Tenho muito para vos contar.
E agora que consegui escrever todas estas linhas sem a aplicação ir abaixo, talvez consiga.

terça-feira, 20 de junho de 2017

Curtas

Saltos altos e tornozelos... I miss you!!

quarta-feira, 7 de junho de 2017

sábado, 3 de junho de 2017

Curtas

Adoro morar em Amsterdão.
Sentados numa esplanada no centro vemos as flores nas janelas, bicicletas, crianças nos carrinhos, pais relaxados, o ritmo de uma cidade em que ninguém correr para nada.
Amesterdão nunca vai ser Lisboa, mas não é por isso que gosto menos dela.

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Curtas

Já percebi porque é que não se vem muitas mulheres com 9 meses de gravidez na rua... andar por si só, e uma tarefa hercúlea!
E ainda faltam 3 semanas!

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Tempestade

Deus sabe como eu gosto de uma boa trovoada! Deus sabe.
E se juntar relâmpagos... óptimo!
Cenário perfeito para o meu último dia de trabalho.

domingo, 28 de maio de 2017

Duvidas que me assistem

Estou gorda ou estou simplesmente inchada?
Não tenho tornozelos, os meus dedos dos pés são bolinhas, as mãos parecem um sapos, tenho o nariz largo e cara de bolacha.
Faltam 4 semanas e tenho medo, muito medo que afinal isto não seja corpo inchado de gravidez mas gordura pura e dura. E pior, só vou descobrir depois...
Odeio surpresas!

E escusam de me dizer que não posso pensar nisso, e enumerarem todas as maravilhas da maternidade. Aos 9 meses já é demasiado peso para isso. 
Neste momento (em que tenho que me vestir para ir jantar fora), penso sim, no meu armário cheio de roupa (que agora me parece nova), no bikini que quero usar em Agosto e em todo o exercício que quero fazer assim que resgatar o meu corpo.

Continuo a ser mulher mesmo depois de ser mãe (e não vou pedir desculpa por isso), e a mulher que há em mim esta desejosa de voltar a ter uma barriga lisa, pode matar-se no ginásio e vestir um número de roupa aceitável.
Desejosa!!!

Curtas

A minha nova rubrica!
Estou farta de esperar para ter um computador a frente para poder escrever.
Quando lá chego já a ideia se foi...
Vou tentar assim. Continuo a detestar estar tanto tempo sem escrever.

terça-feira, 11 de abril de 2017

Como começar um novo hobbie?

1) Perceber se se gosta do hobbie ou se se gosta mais da ideia do hobbie. Marcar uma aula única ou um curso rápido para dar uma introdução ao tema sem investir muito.

2) Se o ponto numero 1. nos deu imenso prazer e foi algo que nos veríamos a fazer durante várias horas podemos prosseguir e tentar saber mais coisas básicas sobre o nosso hobbie. Passar umas horas no youtube a pesquisar ajuda. O youtube diz praticamente tudo o que precisam de saber sobre qualquer coisa.

3) Se o vosso hobbie for alguma coisa de exterior ou relacionada com desporto eu sugiro investir em aulas. Ser autodidacta é bom se não envolver colocar o vosso corpo em risco. Comprei sempre o pacote mais pequeno (e barato) possível e não invistam em material. Material é algo que só se deve investir quando tiverem a certeza que gostam do vosso hobbie e que o querem fazer durante algum tempo. Excepção feita se for algo barato como uma raquete de squash, um skate ou uns patins (tudo em formato básico para iniciados).

4) Pratiquem. Se não arranjarem tempo para o vosso hobbie no inicio, quando ainda estão excitados sobre o assunto, é porque nunca vão arranjar tempo. E se dizem que não tem tempo, bem, é verem o que vos dá mais prazer: horas em frente à TV (ou computador) ou horas com o vosso hobbie. Eu sinto sempre (e cada vez mais) que a TV, computador, telemóvel é uma perda de tempo. Nada contra, gosto de ver séries e filmes, mas dois episódios máximo ou um filme, chega, sobra e sobeja. Computador é o mínimo indispensável, já passo o dia a trabalhar em frente a um, a nossa relação está esgotada. E telemóvel, é óptimo quando estamos numa fila, ou no WC, mas mais que isso cansa-me.

5) Tenham atenção a altura da vida em que estão, mas não se coibam de começar tarde qualquer coisa que vos dê prazer. Quero com isto dizer que, por exemplo, agora que sei que vou passar mais tempo em casa, faz sentido um hobbie que me permita aproveitar mais a minha casa, tendo portanto tempo para o fazer (mesmo quando o bebé nascer). Mas comecei o Judo aos 18 anos, era cinto branco quando toda a gente já era castanho ou preto e comecei o Surf aos 25 numa classe só de adolescentes. Mas comecei, fiz durante anos e quando tiver tempo (ou voltar para Lisboa) posso fazer outra vez.

Acima de tudo garantam que nunca param de experimentar e aprender coisas novas: um desporto, uma língua, uma arte, qualquer coisa! Experimentar faz-nos sentir vivos.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Planos!

Falta um mês e meio para ir para casa de licença.
Vou ficar um mês em casa sem fazer nada, tal como manda a lei aqui na Holanda.

Se a inicio este mês me pareceu um desperdício, neste momento a ideia sabe-me, acima de tudo, bem.
Começo a sentir o peso, um peso que não tem a ver com gordura corporal, mas sim com uma pressão em sítios desconhecidos e estranhos. Dormir começa a ser uma espécie de constante vira-e-acorda e por isso tenho que fazer sestas no sofá quando chego a casa para recuperar, o que me faz sentir como se não fizesse nada além de trabalhar e dormir.
As tarefas da casa acumulam-se e não tenho vontade, nem paciência ou força para ir para a cozinha ou tratar da roupa.

Achei que não ia acontecer, confesso! Como se eu fosse diferente da maioria das mulheres que olhava para mim com cepticismo, quando eu dizia que podia trabalhar até ao parto, porque afinal em Portugal não há nada na lei que diga que tenho que ir para casa um mês antes. Ainda tenho colegas que acham que não vou aguentar até aos 8 meses, mas eu continuo a querer fazê-lo, acima de tudo porque tenho uma lista de coisas para acabar aqui no trabalho que não acabam. E como sempre, quero termina-las na perfeição.

Mas há uma novidade para contar: como achei que ia estar aborrecida em casa durante um mês. Com mobilidade reduzida dado ao peso da barriga, decidi começar um novo hobbie relacionado com artes - pintar e desenhar.
A verdade é que sempre tive vontade de fazer algo que desenvolva o meu outro lado do cérebro, o criativo. Escrever só não chega, especialmente porque raramente tenho tempo para me dedicar a um texto de ficção. Escrevo o que sinto e isso não é bem criatividade.
Por isso, no mês que vou ficar em casa, não vão ser só livros e séries (já me estava a aborrecer só de pensar nisso!). Vão ser também textos, pinturas e desenhos...


terça-feira, 4 de abril de 2017

7 meses

E uma gravidez santa!
Realmente, até agora, há muito para agradecer neste campo.
Nada a declarar além de umas náuseas pontuais, um cansaço médio, e uma dores suportáveis em sítios estranhos.

Tenho tentado levar tudo equilibradamente. Duvido que algum dia seja uma daquelas mães arco-íris e potes de ouro, que diz que tudo é maravilhoso, mas também evito o negativismo.

Sinto falta de fazer desporto a sério (yoga prenatal é só para não ficar parada), de vestir a minha roupa, de andar de saltos altos sem pensar se o dia vai ser calmo ou não, de um copo de vinho (ou mesmo dois), de comer tudo sem pensar em bactérias e azia... sinto falta do meu antigo independente eu, por vezes.
Mas tento ver o temporário da situação e lembrar-me que daqui 1 ano (ou 10), vou ter saudades de estar gravida. Vou sentir falta de estar sempre acompanhada, de senti-lo a mexer dentro de mim todos os dias, de cantar para ele e sentir as reacções sempre que alguém fala mais alto ou me assusto.

Tudo são fases, e é assim que quero continuar a prosseguir. Uns dias em pico de felicidade e outros a aceitar o dia menos bom ou mais hormonal, como tudo fazendo parte do processo.

Começo a ficar ansiosa para o ter aqui comigo. Tenho medo que algo não esteja bem, o mesmo medo que me acompanha desde o dia 1, aquele que me segreda ao ouvido tantas vezes "foi tudo fácil até agora, prepara-te". Calo-o, porque me recuso a viver em medo, mas meia volta ele está aqui para me relembrar (caso eu me queira esquecer) que de uma hora para a outra o mundo vira-se ao contrario. E eu vou levando, também o medo, como uma parte natural. Suponho que todas as mães tenham medo, eu só tenho mais experiência em mundos ao contrario.

Começo também a ficar excitada com os detalhes, pequenos pezinhos para dar beijinhos, amamentar, dar banho, cuidar, passeios no parque. Ter um ser vivo meu e só para mim durante 3 meses. Quero muito.

Resumindo. Está tudo bem, está tudo calmo. A vida correr e vou passando mais uma fase, mais uma experiência.