sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Há um ano, era assim #35

Focus

Eh pahhh...demorei um ano e ainda vacilo (pouco, mas tem dias!). Fantastico! Sou fantastica.

Phrases XII

Teorias

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Useless and disappointing


Há alturas em que achamos que não conseguimos viver sem determinada pessoa. Não vamos respirar se ela desaparecer. O medo da perda é tão grande, mas tão grande que transportamos a pessoa nas mãos cuidadosamente, como se fosse uma bola de cristal.

E depois há o dia em que nos cansamos, porque o peso já é muito, e vistas bem as coisas a pessoa nem fez grande coisa para estar ali, e mandamos com a bola para o chão só para ver se se parte. Até já queremos que parta só para nos libertamos da pressão que é o cuidado constante e a dedicação e o amor. Odioso.
E nem sempre parte à primeira, e voltamos a segurar, ufaa...não partiu, não vamos repetir a brincadeira. Pega outra vez com as luvinhas de lã e mais um bocado de frustração, porque o cristal que deveria ficar mais suave com o tempo, e mais leve, continua pesado como chumbo.
Desespero. E empurramos tantas vezes para o chão até se partir de vez, só porque já não aguentamos mais!

Quando há cacos por todo lado andamos em cima deles, ferimos os pés e sangramos, doí, mas ao mesmo tempo estamos leves porque não vamos ter mais de empurrar o peso do amor às costas, sozinhos. Acreditem em mim quando digo: se for pesado, tão pesado que se torna impossível de arrastar, é porque o estão a carregar sozinhos. O amor a dois tem de ser mais leve, nem que seja pela partilha!
Depois começamos a colar os bocados da bola, porque não faz sentido andar tudo pelo chão e já nos magoamos o suficiente. O ideal é colar tudo e por a um canto, como um brinquedo antigo que gostamos muito e se estragou.
Então junta-se as peças, não se guarda rancores, e coloca-se a bola o mais longe possível. Longe da vista, longe do coração. Não queremos voltar a sentir o seu peso a esmagar-nos o peito. Não mesmo!!
Uma vez por outra pegamos-lhe novamente, só para ter a certeza que ainda está pesada e porque não conseguimos evitar. Admitirmos que nos enganámos, que não era assim, que apostamos mais uma vez na pessoa errada, custa. Custa tanto que queríamos provar a nós mesmo que se calhar até dá...mas não! Quando percebemos que continua na mesma, com o mesmo peso de sempre pousamos outra vez no chão e seguimos para outro lado.
The thing is, assim que percebemos que conseguimos viver sem ela (sem aquela pessoa), que respiramos e que os dias, por maior que seja a dor, não param, nada volta a ser como antes.

Podemos dizer e fazer o que quisermos, no meu caso até magoar a pessoa (eu tenho créditos!), se ela se for embora, não é nada de novo, nada mais irá doer como já doeu! E isso é um encolher de ombros gigante a tudo o que nos possam fazer a partir de determinada altura. O amor esse, provavelmente desaparece com o tempo, com o peso que foi e já não é, com a desilusão e com o facto de as coisas não mudarem. Pegar na bola continua a ser useless and disappointing, como sempre foi. Só que agora já não custa.

Há um ano, era assim #34

Between

Phrases XI

Swatch Ad 98

Grey's (quotes IV)

Pois...

Quanto mais encurralada me sinto mais vontade tenho de fugir.
Virar costas a tudo e ir-me embora sem pensar.
Sozinha.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Criatividade #5


Não vejo Lisboa há mais de 5 anos.
A cidade da minha vida ficou para trás em detrimento de outros sonhos, outros mundos, outras vidas.

Saio do aeroporto sozinha, ninguém sabe que aqui estou. Na verdade, nem eu sei que aqui estou. Como tudo na minha vida, foi o impulso. Acordei de manha, olhei à volta e percebi que o meu trabalho ali estava feito. No entanto, ao contrario de tantas outras vezes antes, em que rumei a outro pais onde pudesse começar tudo outra novamente, desta vez cheguei ao aeroporto com a minha mochila e pedi para vir para casa.

É meio de Maio, o ar quente despenteia-me assim que as portas automáticas se abrem. Cheira ao mesmo, sabe ao mesmo...os autocarros são novos, amarelos, modernos!! Sigo até à paragem do 83 que antigamente, tal como agora noto, me leva na direcção de casa. Sento-me à janela para apreciar a viagem e penso em ti. Nas ultimas 16h não tenho feito outra coisa senão pensar em ti, nas saudades que tenho da tua voz, do teu sorriso e do teu abraço.

Nunca ninguém que abraçou como tu, sempre sôfrego, apertado, enorme. O meu tronco pequeno encaixado no teu peito como uma peça de Lego, a minha cabeça naquela covinha do teu ombro...é a última memória que tenho de Lisboa. E agora que finalmente voltei, sei que é por ela que aqui estou.

É dia de semana, posso assegurar pela poucas pessoas que estão a esta hora na rua. Lá de onde eu venho não há fins-de-semana ou dias de semana, as pessoas regem-se pelo nascer e pôr do sol, esperam apenas viver mais um dia no meio da pobreza e da doença, rezam por água, farinha e um milagre qualquer que lhes salve a vida dos filhos.

O sol salta de uma das colinas e faz-me piscar os olhos, o autocarro sobe e desce até me deixar finalmente em casa. A minha rua tem o mesmo movimento de sempre, talvez os vizinhos sejam diferentes? Ou o elevador já não seja de 1950?
Duas voltas à chave, abro a porta devagar e espreito. Sorrio. Claramente que a minha mãe vem cá com frequência. A casa cheira bem, a cama está feita de lavado apesar de ainda ter edredon e a minha roupa está impecável no armário, tal como eu a deixei para ir apenas um ano para África fazer voluntariado. De Africa passei para a América do Sul, de lá para a Indonésia e por fim para a Índia. Um ano facilmente passou para cinco, com a mesa rapidez que a minha mãe me deixou de perguntar quando voltava, os meus amigos esqueceram o meu e-mail e tu, o ultimo resistente apagaste-me porque já não podias esperar mais que eu descobrisse o que quer que fosse que andava à procura.

Pouso a mochila no chão. A mesma que levei, a mesma tu me deste antes de partir. Venho sem roupa ou qualquer outro objecto, deixo sempre tudo para trás quando me venho embora, a mim não me faz falta e houve pessoas que ficaram tão felizes.
Tiro uma toalha da gaveta ainda em piloto automático, entro no duche e tomo um banho rápido para tirar o cansaço da viagem. Abro o armário, não visto esta roupa há cinco anos, nem sei se ainda tem alguma coisa a ver comigo, ou se ainda me serve!
Calças de ganga, camisa branca, saiu de casa novamente com a minha mochila às costas.

Podia dizer que não sei onde vou, mas seria mentira. Sai da Índia para vir a tua casa. Por isso é que não disse nada a ninguém. Duvido até que alguém fosse compreender o porque de tamanha jornada. São quilometros que nunca mais acaba. E eu própria não compreendo o que é que me fez caminhar desta maneira até chegar aqui.
A noite está a cair quando entro a passo decidido pelo teu prédio a dentro. O porteiro cumprimenta-me como se me tivesse visto ontem "Boa tarde menina". Vacilo pela primeira vez. Olho para o relógio, claro que estás em casa. Sempre estiveste em casa a esta hora, é a tua hora sagrada antes do jantar. Entro no elevador, carrego no 7 e viro-me para o espelho. Vejo-te atrás de mim, a agarrares-me a barriga, a dares-me festinhas na cara, a beijares-me o pescoço e a pegares-me ao colo ainda antes de chegarmos lá a cima. Vejo a minha cara queimada do sol. Insegura. E se já não morares em casa dos teus pais? E se casaste, tens filhos, uma casa grande e um cão? Já não sei porque é que estou aqui...mas não vou voltar para trás sem descobrir. O elevador estremece, as mãos tremem-me, e as pernas também. Afasto a grade, e empurro a minha mão contra a porta fria. Não sei o que quero de ti, o que sinto por ti. Não sei nada...

Passado o que me pareceu ser uma eternidade, em que revejo tudo o que dissemos um ao outro desde a ultima vez que nos vimos, ponho o dedo na campainha. Espero. Ouço passos. A porta abre-se e tu estás à minha frente. 16horas da Índia aqui e tu estás à minha frente! O choque passa-te electrizante pelo corpo, não dizes nada. A mim, não me sai nada, mas pica-me o nariz das lágrimas que não deixo sair. Agarras-me a mão, puxas-me para ti e abraças-me como antigamente, como sempre.

Eu até sabia porque é que voltei. Voltei por isto, porque a agonia de mais um dia sem o teu abraço me pareceu impossível, porque não conseguia mais não te ver, não te tocar, não te sentir. Demorei 5 anos para perceber isto.
Viro a cabeça para a esquerda e encaixo-me na covinha do teu ombro. Caibo tão bem aqui...

...


Daqueles sonhos que tenho medo de não realizar?

Conhecer o mundo. Passear por recantos escondidos, subir todas as montanhas, percorrer todas as estradas. Descer todos os rios, navegar todos os mares, falar com todas as pessoas.

Tenho medo de não ter tempo, de deixar passar as oportunidades, de ter medo de por a mochila as costas e ir. Há dias em que só queria deixar tudo, por meia dúzia de coisas na mala e ir para o aeroporto da Portela...e depois logo se via.

Talvez voltasse uma semana depois, talvez nunca mais voltasse.
Gostava de saber como seria.

Porque ficou registado...


...e hoje sinto exactamente o mesmo.

Há uns tempos alguém me disse mais ou menos esta frase: "Hoje eu só queria...aquilo. Era a única coisa que eu precisava, aquilo que pensei o dia inteiro."

Sinto o mesmo neste momento de cansaço. Em que estou sozinha no meio do open-space com pelo menos 20 pessoas, em que o meu dia está longe de acabar e muito piores virão.
Hoje só queria...aquilo.
Nos outros dias não, nos outros dias está tudo bem, óptimo, perfeito. E quando não está calca-se o sentimento e põem-se outro por cima, aquele que se deve sentir em cima daquele que se sente até os dois se misturarem e já não se saber qual é qual.
Em dias como o de hoje, eles separam-se como água e azeite. Tão evidentemente distintos que não há quem os misture.

Hoje. Era só hoje.

Sahara


Eu não sei muito bem quem é que teve a ideia do turbante verde a misturar com o olho verde...mas resulta! Não, não...mais que resulta!!!

E neste filme é tudo...é o moreno da pele, é o turbante com o olho verdão, é um braço grande e um peitoral maior ainda, o sorriso de puto e o salvar da donzela. Matem-me, levem-me para o céu e que lá haja 7 Matthews destes com asinhas à minha volta por favor...

Btw...foi assim que eu terminei o meu fim de semana! E eu sou fraca?!

Smile!!


Em dias como o de hoje, em que tudo parece mais difícil, é que é ainda mais importante lembrarmos-nos disto!

Por mais difícil que seja o percurso...estamos aqui. Vivos.
O sol brilha lá fora, o tempo está a passar.
Ser feliz...tic tac tic tac.

Não obstante disso estou cansada. Bolas...tão cansada!

Há um ano, era assim #32

Phrases X

Rainha de Copas

E tu...és feliz?

Foi o dia dos Coreanos. Priceless...
B. decide pensar na vida e segue para o Starbucks de Belém. Traz um chá dos grandes e senta-se num banco no jardim, apática a tentar pensar.
B. fica uma hora a ouvir 4 Coreanos a pregar uma religião que eu nunca ouvi na vida e a tentarem rebatizarem-me (seja isso o que seja) sem qualquer reacção sem ser um sorriso.

Pronto...há malucos para tudo. A verdade é que estava sozinha e na base do vale tudo. Valia tudo menos pensar no buraco que trazia comigo.

Como prometido

E muito brevemente porque tenho a cabeça a estoirar.

É difícil. Ser mãe a tempo inteiro é difícil. É repetir 40 vezes a mesma coisa sem elevar o tom de voz, é insistir constantemente nas boas maneiras, é olhar cada 0,5segundos a ver se esta bem, é lembrar-se de tudo, dentes, xarope, bolachinhas, fruta, sopa, meias, tudo tudo tudo, é ver se tem frio, calor ou assim assim, é paciência infinita, de onde ela não existe.

É difícil...

Vale a pena. Óbvio. Não se discute. Vê-lo a dormir e dar-lhe beijinhos no nariz vale tudo.
Levo isto como estando em estágio quando tiver os meus. Levo.
Sempre levei, desde que ele nasceu.
Uma coisa eu posso é garantir aqui e agora: filho meu nasce, 1º quando eu sentir que estou preparada, 2º de um amor daqueles impossíveis e 3º de um pai que seja um paizão sem maneiras. Ou pelo menos é o que eu desejo ardentemente que aconteça. E espero não me enganar...

E com isto vou dormir!!

Música do dia #22

Ou that's why I can't trust you...



She sees a million stars, like holes in the sky
All gods tears for her they cry
And I am in her rain