sábado, 6 de janeiro de 2018

6/365

O silêncio da minha casa é de ouro.
As malas ainda não estão totalmente arruinadas, mas amanhã e outro dia. 
O M. prepara-se para uma noite inteira de sono, e ve-lo dormir é das coisas que mais gosto.
Sou feliz.

Melhor que resoluções de ano novo

E pode fazer-se o ano inteiro, em qualquer altura.


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sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

5/365


A Eleanor deixou-me em terra lusas.
A mensagem da KLM na terça-feira foi clara, não viajarás debaixo de uma tempestade - segurança acima de tudo.
Claro que, como sempre acontece quando a vida te troca as voltas, foi uma confusão. Mudar os planos, avisar o trabalho, organizar a vida de outra maneira. Tudo se faz, mas chateia, especialmente quando ansiava voltar para a minha casa e para o meu gato.

Isto de dizer "voltar a casa", quando me refiro a voltar para Amesterdão, tem muito que se lhe diga. Creio que já falei sobre isso, e voltarei a falar. Casa é onde o nosso coração está, onde nos sentimos seguros, onde gostamos do dia-a-dia e no limite, onde o nosso animal de estimação vive...mas casa sempre foi Lisboa, e agora já não é. A ideia estranhou-se e depois entranhou-se. A minha casa já não é em Lisboa, cidade que foi e sempre será a cidade da minha vida. Mas isso não é uma coisa má, muito pelo contrário. Sei que um dia voltarei, mas entretanto terei outros amores, pisarei outros chãos e amarei outros locais.

Por isso hoje, faço malas, trabalho e bebo o meu chá a cantarolar. Amanhã já estou em casa!!

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

4/365

Depois de quase 6 meses, o meu período voltou.
É quase cómico de tão confuso que é...parece que tenho 13 anos outra vez!

Tenho muito respeito por quem mora no interior do país em pequenos municípios. Eu, nascida e criada em Lisboa, observo as pessoas daqui e elas são exatamente como eu. No entanto, provavelmente pelo facto de nunca aqui ter morado, estranho os costumes, o conhecimento total da vida alheia, a ausência de opções, a vida pacata, a aceitação.
É definitivamente uma vida muito diferente da minha e com as suas vantagens. Um ritmo calmo, tempo de qualidade para a família, amigos próximos de casa.
Mas, apesar de algumas vantagens aparentes, não me consigo imaginar a viver aqui. Sinto o mesmo que sentia quando ia para o monte no Alentejo nos verões anos e anos a fio - ótimo para passar férias, especialmente as de Verão - mas impossível por mais de 15 dias. Sou um bicho de cidade, sempre fui. Gosto de ter tudo ao pé, de me conseguir deslocar para qualquer lugar do mundo em meia dúzia de horas, sinto-me livre e em movimento, opções alargadas, independente posso fazer tudo sem restrições e sem pensar no que é que os outros vão dizer.
Talvez com o tempo e com a velhice isso mude. O que queremos aos 30 não deve ser a mesma coisa que queremos aos 70, e se pensar agora a 40 anos de distancia num monte Alentejano, com uma poltrona, biblioteca, lareira no Inverno e um cão, acho que era feliz.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

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Passear é uma das minhas actividades favoritas.
Sabendo disso, e do triste que estava, o meu mais que tudo levou-me a passear.
Carro, montanhas, música a tocar e sou feliz. Sou tão feliz com pequenas coisas!
E depois chegar a casa e voltar a sair para bater perna com o M. Sentado no carrinho, comigo a empurra-lo, vai até ao final do mundo.

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

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O facto do nosso cão morrer não interessa a ninguém. Só nos custa a nós, só a nós faz doer...não há ninguém com quem falar, ninguém a quem a avisar e ninguém que intenda o que é perder o nosso animal de estimação, a não ser os que já passaram por isso.
A antecipar o que hoje aconteceu, o meu cão foi-se embora esta de manhã.
E há quem diga que ele até não era o meu cão, porque estava em casa dos meus pais, ou que era o cão da minha irma porque foi presente para ela, mas para mim isso não interessa. Importa o que eu sinto, e o que eu sinto neste momento é uma tristeza enorme, uma angústia e um princípio de saudade dos momentos que não vamos passar juntos.
Dennis, meu querido, foste muito bom cão.
Até sempre.

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Ao meu cão Dennis

Foste muito bom cão. Sempre.
E agora que se aproxima o final só gostava de poder fazer-te sentir o quanto és amado por todos nós.
Não sei se vais voltar a casa, e apesar do tempo que tivemos para nos preparar, acho que nada vai facilitar o momento. O momento em que termos a certeza que não vais voltar, em que vamos decidir acabar com o teu sofrimento e deixar-te ir.
Foste muito bom cão! Eu sei que já disse mas quero repetí-lo tantas vezes quantas possíveis porque eu já não te vou ver mais. Soube disso quando cheguei a casa dos meus pais, quando estive deitada contigo no chão e quando ajudei a por-te no carro para ires para o veterinário. Soube disso na sexta feira quando me vim embora e sei-o agora, eu já não te vou ver mais.
Sabemos que os animais vão durar menos, sabemos que vai doer no final, mas é difícil imaginar o quanto irá doer todos os dias sem ti.
Foste tão bom cão!! Foste o melhor dos amigos, o mais fiel companheiro, o brincalhão de serviço, o descarado a pedir comida, o olhos tristes quando ficavas sozinho.
Vai ser muito difícil perder-te e ainda mais tomar a decisão de te deixar ir. Mas faremos sempre o que for melhor para ti, por isso somos os teus donos desde cachorro.
Foste muito bom cão! Adoro-te.

1/365

Trancoso é frio, não é novidade!
Por isso em vez da minha ida anual a praia fiquei a lareira.
Comida boa, vinhos melhores e doces que não acabam.
Mais uma vez hoje deparei-me com a realidade irremediável que é ser mãe. Nao há como delegar totalmente as nossas tarefas. O M. nem sempre deixa e eu nem sempre consigo. Acho que começo a precisar tanto dele como ele de mim, num enlace difícil de explicar.
Um filme dura 2h, mas essas 2h parecem uma eternidade quando se é mãe. Impossível ver um filme de seguida. E não, não é mito!

2018 e os votos


Durante muitos e muitos anos, votos para o novo ano e revisão do ano que passou, era algo a que me dedicava durante largas horas.
Hoje, por falta dessas horas ou porque me tornei uma pessoa mais simples ou porque sei que o novo ano não faz velhos milagres, não dedico tempo substancial a pensar nisso.
Na mesma acho importante referir que 2017 foi um dos anos mais importantes da minha vida, foi o ano em que fui mãe pela primeira vez. E atenção que 2017 não foi o ano mais fácil de todos, ou o mais feliz de todos (nem sei bem se isso existe), mas foi o ano marcado pelo M.
Desde que o soube dentro de mim, que toda a minha existência começou a passar por ele também, de manhã quando acordo, a noite quando me deito, não existe já um mundo onde ele não esteja. E maravilhoso e assustador ao mesmo tempo.
Por isso 2017 foi único e irrepetível.
Para 2018 quero apenas o mesmo que todos os anos, amor, paz, saúde e sorte.
Quero também continuar a melhorar coisas em mim e para mim. Quero ser (ainda) mais organizada, quero poupar, quero trabalhar mais, quero ir ao ginásio pelo menos 4x por semana, quero ter quilos de paciência para o M., quero alimentar-me melhor, quero ser um bom exemplo para o meu filho, quero ter tempo para o que me faz feliz como ler, escrever, estar em casa com a minha família no quentinho do meu lar, quero que todas as pessoas que eu amo tenham montes do mesmo que eu pedi para mim, amor, paz, saúde e sorte.
Quero também deixar maus hábitos, o botão de snooze, o mau feitio quando tenho sono, o queixume por causa do frio, do calor, da falta de tempo, do cansaço...o queixume em geral vai ter de desaparecer. Quero não comer porcarias que me fazem mal, quero tratar melhor de mim, sentir-me bem e saudável.
Parece que quero muita coisa, mas na realidade o novo ano só se faz dia a dia. A cada dia que voltamos a velhos hábitos, é preciso acordar no dia a seguir com mais força para mudar, para melhorar. 
Tudo o que quero este ano já queria no ano passado. Algumas coisas consegui dar uns passos valentes para a frente, noutras nem por isso, e é por isso que o os votos de novo ano nunca acabam. Há sempre por onde melhorar, há sempre mais para aprender, há sempre os desafios e as pedras ao longo do caminho, há sempre momentos de desespero e tristeza e momentos de pura alegria e felicidade.
Por isso escrevo nestas primeiras horas de 2018, porque sei que este ano vai ser 1000x diferente to que passou, mas ao mesmo tempo sempre igual. Nunca percebemos bem quando mudamos, o certo é que de ano para ano não podíamos ser mais diferentes.
Feliz ano novo!

sábado, 2 de dezembro de 2017

Partilhas

O M. dorme e eu sento-me 2 minutos na cozinha a  passar os dedos nas redes sociais, que descuido 1000 neste momento porque não dou a mínima, e neste pouco tempo leio 3 coisas sobre o tema partilhas nas redes sociais...

Para mim, importante é o que guardamos, o que fica entre nós e a pessoa com quem partilhamos o momento. E por isso, se e importante eu não partilho, porque nem vou gastar tempo com isso.
Claro que, como não tenho a urgência de partilhar, acabo por nem tirar fotografias e depois tenho pena de não ter mais fotos deste ou daquele sítio, desta ou daquela situação ou evento. Por isso instaurei, o que eu chamo de regra de ouro...em férias partilho uma foto por dia, faço das minhas redes sociais o meu álbum de vida.
Do meu M. tiro uma foto de cada acontecimento (o que neste momento é quase uma todos os dias) e não partilho. 
Não sou fanática e medrosa sobre ter fotografias dos miúdos nas redes sociais, simplesmente não quero. O M. é só meu e dos que o rodeiam, não tem de ser, por enquanto, de mais ninguém.

domingo, 26 de novembro de 2017

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Reality your bitch

Fácil julgar: “ele é um bocado estranho”, “diferente”, “sempre despenteado”...
Vários comentários ou às vezes só olhares, sorrisos de escárnio, abanares de cabeça.

Sim, concordo com o diferente e nunca pensei no assunto mais do que dois minutos até hoje.
Levantou o braço numa reunião, o relógio caiu e por baixo estava lá, marcada no pulso uma cicatriz longitudinal pelo pulso abaixo.

A realidade tem maneiras certeiras de nos atingir. Hoje pensei mais do que 2 minutos sobre o que significava ser diferente. As pessoas andam a nossa volta e nós não sabemos nada do que se passa ou passou lá dentro.

Numa qualquer altura da vida, esta pessoa decidiu que não queria mais viver e hoje está aqui, a viver esta vida tão semelhante a minha.

Não me devia espantar, também eu já fui uma pessoa que não sou mais. Mas espantou, pôs-me a pensar em quantos demónios andam por aí sem que nós demos por isso.

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Do luto e a sua permanência em nós

Deve ser por estar longe, mas às vezes esqueço-me que a minha avó já morreu.
É como senão a visse porque estou aqui e não porque ela morreu. Durante o tempo de 2 ou 3 pensamentos não aconteceu, vou-lhe dizer o que estou a pensar em breve, vou estar com ela em breve...
Como agora, da minha infância veio a memória a Praça de Londres, passei para a igreja São João de Brito, e daí para ir à missa com a minha avó, até que...não, não vai acontecer.
Acontece cada vez menos mas ainda acontece e não sei quando vai deixar de acontecer, e me vou esquecer simplesmente de quando ela era viva. 
Podia fingir que isso nunca vai acontecer dado o amor que eu tinha por ela, mas sei que não é verdade. Demora mais ou menos tempo mas o próprio tempo absorve o amor, o que vivemos juntas e até a dor. No final, seja ele quando for, fica a aceitação de que a morte leva tudo, menos uma lembrança indolor que acarinhamos de tempos a tempos.

Curtas

Nothing says blast from the past as Carolina Herrera 212.

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Como sempre

Saudades de escrever, de me sentar a jogar conversa fora comigo mesma e passar depois horas a ajeitar o texto, mudar as palavras de ordem, cortar sem dó nem piedade parágrafos que são meros apêndices. Saudades de ter tempo para escrever.

Voltei ao trabalho há mais de um mês. Nas primeiras 3 semanas fui novamente um joguete nas mãos do tempo (coisa que odeio). A correr de um lado para o outro, entre o open-space, a sala de amamentação e o sofá da minha sala, num jogo que coordenação que me tirava toda a energia para pensar no que quer fosse exceto o M. e o trabalho.

Luckly enough, fui promovida. Ato de extrema simpatia da parte da minha entidade empregadora. Parecendo que não, ser reconhecida pelo meu trabalho e dedicação é uma das razões pelas quais adoro estar aqui. 

O M. cresce todos os dias a um ritmo que quase não consigo acompanhar. Continuo a aprender a ser mãe dele e ao mesmo tempo concilia-la comigo. Descobri que todos os livros que li durante 9 meses são apenas guidelines, similares aos livros que lemos na faculdade. Na pratica, temos que nos adaptar constantemente. Há dias em que está tudo controlado e há dias em que apenas se sobrevive.

A quantidade de amor, essa sim chocou-me, não estava a espera. O amor esmaga-te de tal maneira que ás vezes parece que todos os outros sentimentos desaparecem. Eles estão cá, eu sei, mas neste momento ainda estão a levar com o brilho fortíssimo que o M. emana e que eu ainda não consigo absorver rápido o suficiente para deixar ver os outros sentimentos. Ter um filho pode, sem duvida, gerar sentimento suficiente para colmatar toda a ausência de outros sentimentos, disso tenho agora a certeza. Não é saudável, mas é possível.

As chaves são:
Equilíbrio, o balanço delicado entre ser mãe e ser mulher. Eu preciso de tempo, preciso de estar comigo, de ir ao ginásio, de ter as unhas arranjadas a depilação feita. Preciso de ler e de escrever, de ver a minha série e de conversar com adultos, de aprender Holandês e ter side projects. Ter tempo é o desafio do momento. Tirar tempo ao trabalho não é inteligente, tirar ao sono não é sustentável, tirar à família não é aconselhável e tirar-lo ao M. é simplesmente impossível.
Eventualmente hei-de conseguir ter a minha vida equilibrada novamente.

Adaptação. Quando achas que a rotina está estabelecida, as noites estão boas, e está tudo equilibrado, pumba! dentes!, ou pumba! cólicas!, ou pumba! growth spur!, ou pumba! eczemas!
Nada é estático, está tudo constantemente a mudar, a evoluir, todos os dias. Para uma control-freak como eu esta extrema flexibilidade pode levar à loucura.

Aceitação, a melhor palavra. O que me faz levar calmamente quando ele acorda novamente a meio da noite (por uma razão diferente da anterior, que eu já tinha resolvido), que me faz não stressar por ter de alterar os planos 5 minutos antes dos acontecimentos.
Quando aceitas que nem todos os dias vais conseguir fazer tudo o que querias, que há dias que tens de te deitar as 21h, que uma Vogue demora um mês inteiro a ler, que tens de ter ajuda, a vida corre melhor. Estar permanentemente a lutar contra coisas que são como são é pouco inteligente e certamente leva a depressões sérias.

Não tenho exatamente uma deadline para conseguir tirar isto de letra. Os desafios são enormes porque a vida, como ela era acabou, desapareceu e não vai voltar. E habituarmos-nos a isso custa, tanto a mim, como ser individual, como a nós casal.

E com isto foram 2h inteiras. Uma tirei ao trabalho e a outra ao sono. Começar a trabalhar as 7h da manha tem as suas vantagens, mas começa a doer quando se chega a 5a feira.