sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Reestruturação? I wish...

Depois do anuncio, do que eu achava, seriam as medidas mais concretas da reestruturação no nosso departamento, fui almoçar com uma colega grega.

Esta minha colega, não é do meu departamento e portanto tem potencial para se tornar amiga, sentou-se a minha frente com o coração nas mãos a dizer não sabe o que vai acontecer com o contrato dela. Durante um ano ela trabalhou com pessoas que lhe segregaram a informação, esconderam o seu próprio trabalho para ela não poder aprender (Deus nos livre se ela se tornasse melhor que eles), com um chefe que nem percebeu o que se estava a passar. E ela, boa pessoa, simpatica demais para o seu próprio bem, nada disse, fingiu que não estava acontecer até, na avaliação dela, ter sido acusada de pouco pro-activa e slow learner.

"Nós socialmente damos-nos bem, qualquer um deles tomaria uma cerveja comigo", dizia ela. Claro que isso não os impedem de lhe travar as ambições e tentarem diminui-la a cada reunião.

Ela é tão boazinha que me fez lembrar de mim. Anos e anos, a ouvir e calar, não comentar, respeitar a hierarquia e sem resmungar, a ser explorada, a ensinar mas fingindo ao mesmo tempo que a pessoa já sabia, traduzir inglês, encobrir...
Se eu soubesse o que sei hoje, tanto murro na mesa que eu tinha dado!

Mas, e como eu lhe disse, lidar com pessoas difíceis e chefes inseguros é uma lição para o futuro. Toda a gente vai sempre "tomar uma cerveja connosco" se nós não fizermos ondas, de alinharmos com status quo, se não fizermos demasiadas perguntas ou procurarmos por situações justas.
Sinceramente que se lixe a cerveja. Fiz amigos no trabalho uma e única vez na vida, que foi no meu primeiro trabalho, e fico muito feliz de os ter feito, mas depois disso nunca mais.

E enquanto muita gente acha isso uma posição extrema, ou até triste, eu acho que faz parte do trabalho que as coisas assim sejam.
Gosto muito e alguns colegas meus, acho até que eles poderiam ser meus amigos (senão fossem meus colegas), mas teria sempre os dias contados e levaria sempre a dificuldades desnecessárias. Porque irá haver uma altura em não iremos estar de acordo, ou haverá um conflito ou qualquer outro problema, e eu não me vou calar. Não vou evitar dar a minha opinião ou dizer que alguma coisa está errada, não vou concordar só porque somos amigos. E ainda pior que isso, a amizade poderá ser usada contra mim, porque quem é amigo confia e quem confia partilha confidencias.
Espero que ela tenha ouvido e comece a dizer mais o que pensa. A primeira vez que passas por cima do teu chefe e da opinião dele, custa muito, mas depois só melhora.

E sobre a reestruturação? Ah, nada concreto. Ninguém fala olhos nos olhos, ninguém diz como vai ser, mas uma coisa é certa, que vai ser, vai.

Hoje


Acordamos assim por aqui.

Estava ainda naquele sono leve e so ouvia a chuva a pingar a pingar. Vontade de ficar a trabalhar de casa hoje.

Mas depois o sol abriu, um frio polar, mas com sol, o que faz toda a diferença.

Bons dias a todos.
Bom fim de semana!!!!

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Let's start this circus once and for all, shall we Donald?

Muito já se disse sobre o caso Trump, não irei portanto acrescentar nada de novo.
A meu ver não é nem uma questão de total inaptidão para o cargo por falta de formação politica, há muitas pessoas sem formação que desempenham papeis fundamentais com o trabalho que fazem. Para mim é uma questão da pessoa em si, independentemente do partido politico ou do discurso de vendedor que todos os políticos tem quando estão em campanha.

Todo ele é hipocrisia, falta de transparência, ultra privilegiado sem culpas ou remorsos. Todo ele é mentiras descaradas, contradições constantes, faltas de respeito, mesquinhez, vingativo, infantil...tão infantil.

E eu consigo ver alguns argumentos para a sua eleição:
- É homem
- É branco
- É heterossexual (a tocar no machista e classico playboy)
- É Republicano e só isso basta para a maioria das pessoas que tratam os partidos políticos como clubes de futebol. Para hooligans políticos, não interessa se os candidatos são bons ou maus, serem daquele partido é o suficiente (fenómeno observado também no meu país, infelizmente)
- Sabe vender e dizer exactamente o que as pessoas querem ouvir, seja verdade ou mentira
- É diferente, mesmo sendo o que chamam de "conservador"

O que me assusta, é que para milhões de pessoas estas 6 coisas foram suficientes para o eleger. A ele que não se sabe calar, que não sabe ouvir criticas, que acha que esta acima do bem e do mal, que neste momento tem o poder nuclear de metade do mundo a distancia de um clique, que é desequilibrado, abusivo com as mulheres e com as minorias...
Estou cansada de dar voltas à cabeça a tentar arranjar um racional para isto. Mas talvez o mundo esteja apenas irracional. Evoluímos tanto em 40 anos que isto não é mais do que um confronto de gerações, aquelas que foram educadas nos anos 60 e as que são fruto dos anos 80 e 90. Pode ser, Deus sabe quantas discussões aparentemente irracionais eu tenho com o meu pai sobre estes assuntos. O meu próprio pai que eu sei, apesar de ele não dizer abertamente, é um deles...um dos que não percebe qual é o mal em uma pessoa como o Donald Trump ser eleito.

O Donald absorve neste momento todas as noticias mundiais, em grande parte porque não se sabe calar, não sabe ouvir e não aguenta opiniões diferentes da dele. E as noticias importantes? Como o facto de existir desde hoje uma maior força militar Americana em solo Europeu, deixam de ser importantes porque ele manipula todas as atenções como um macaquinho de circo.
Só tenho pena que em democracia as pessoas não sejam responsabilizadas pelo seu voto, um por um a sofrer na pele as escolhas que fez com leviandade.

Acima de tudo estou já muito cansada deste assunto e da fé que perdi no mundo com a eleição dele.

Eu só pedia a alguém que lhe desactivasse a conta do Twitter, misteriosamente, de modo a que o salvem dele mesmo e a todos nós, que não queremos ser arrastamos para uma terceira Guerra mundial por causa de um Tweet.

P.S: E depois há o momento em que entro no Pinterest para procurar uma fotografia para colocar aqui e leio os comentários das pessoas que votaram no Trump e fico com uma vontade irracional de lhes distribuir bofetadas.

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

É bom...

Ter necessidade de escrever outra vez.

No dia-a-dia, priorizar a minha escrita, o meu Português. Decidi também trazer livros escritos na minha língua para casa este Natal. Chega de só viver em Inglês e em Holandês.

Faço as pazes com as outras línguas por colocar mais ênfase na minha. Canto em Português, praguejo em Português, amo em Português, o importante é, e terá de ser sempre feito na minha língua. Português é o que me define, o que melhor me sabe adjectivar, o que entra nos meus sonhos.

É bom estar de bem com o que falo. Ter o meu corpo a repelir outras línguas e ter de lutar com o Holandês estava a deixar-me exausta. E isso é tudo o que eu não preciso, se momento a única coisa que preciso são sopas e descanso.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Por estes dias

Ginásio para mim significa:
- Andar (correr dá-me uma dor nas costas impossível de aguentar)
- Elíptica
- Alongamentos
- Exercícios de braços (muito leves) 

E um cansaço que me mata depois disto. Se escorrer uma pinga é porque já estou a fazer demais...o truque é fazer até conseguir falar. Senão conseguir falar é porque já está a ser demais! É absurdo a quantidade de cansaço que actividades tão simples me dão.
Só de pensar que ainda vou ter de pegar na bicicleta para ir para casa...

Bom fim de semana.

P.S: Estão -2 graus lá fora! A fotografia é só para enganar.

Paises Civilizados

Ou nórdicos, ou apenas a Holanda, não sei. Mas no país onde eu vivo, muita coisa diferente acontece:

- Não há filas em nenhum sitio, excluindo no transito. Nem no banco, nas finanças, no município, nos registos, no médico. Simplesmente filas é um conceito desconhecido aqui. Aqui liga-se, marca-se hora e os horários cumprem-se. Se estás atrasado, esquece, o provável é que nem te atendam porque a seguinte pessoa já vai estar há espera.

- Tudo se trata há primeira, se for relacionado com o governo (empresas privadas, algumas são um caos). Se tenho que ir fazer alguma coisa ás finanças, ligo, marco hora, digo qual é o assunto e assim que desligo recebo um e-mail a dizer-me todos os papeis que devo trazer para resolver aquele assunto especifico.

- A coisa mais importante são os filhos e a família. Nenhuma carreira é prejudicada se depois de se ter filhos se passar a trabalhar apenas 4 dias por semana ou se passar a sair as 17h. Alias, estranho é uma mulher dizer que vai trabalhar 5 dias por semana depois de ter filhos (como eu verifiquei recentemente) e toda a gente sai perto das 17h (com ou sem filhos).

- Os chefes ficam contentes se uma mulher engravida. Não fazem perguntas nenhumas sobre o bebé, o trabalho acumulado, quando é que se vai de licença ou quando é que se volta. Tudo isso é tratado com os RH, como a mãe quiser e apenas depois comunicado ao chefe.

- Não se espera para nada. Para transportes, para ser atendido em qualquer sitio, por outras pessoas em reuniões! Esperar é um conceito que os Holandeses não entendem e para o qual tem paciência nula.

- Nada fica mal em Amesterdão. Não interessa a roupa que tens vestida (ou a ausência dela), quem é que estas a beijar ou o que é que estás a fazer. Ninguém vai olhar para ti duas vezes, ninguém vai comentar, ninguém quer saber o que tu fazes. És livre, se precisares de ajuda grita.

Claro que também há coisas más. Não é Lisboa, não há família nem amigos por perto, o sol e o calor não são tão frequentes...
Isto não é o paraíso na terra, mas estas coisas fazem uma diferença brutal no bem estar do dia-a-dia.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Juro

Tem dias que parece tudo tão fácil que tremo só de pensar no que estar para vir.
Tento explicar isto aos outros, mesmo aos que me conhecem há mais tempo, e ou eles não percebem ou simplesmente acham que estou a ver pelos em ovos e que tenho de parar de pensar nisso.

A minha questão é simples: nunca nada foi fácil. E neste momento o meu trabalho está um sonho (mesmo tendo contado ontem ao meu chefe o meu novo estado), o meu casamento corre calmo e tranquilo, o meu irmão está bem, a minha mãe com todos os seus problemas está estável. Está tudo bem. Sinistro!

Vou aproveitar, mas não consigo deixar de pensar nisto.

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Terças que parecem Segundas

A culpa é minha neste caso, 9 em 10 vezes a TAP atrasa-se no voo das 19.55h, e eu continuo a marca-lo. A culpa é minha por continuar a insistir.

Deitei-me perto das 3h da manha e já estou a trabalhar há mais de uma hora.

Não há café que me salve hoje, o meu pequeno almoço foi a sandes que a TAP ofereceu ontem no avião e estou no fundo do poço no que ao cansaço diz respeito. 

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Para os meus leitores

E porque este ano quero escrever mais, quero partilhar mais, quero dar mais ao mundo...
Podem corresponder-se comigo a partir de hoje pelo e-mail

aculpanaoeminhaetua@gmail.com



2017

Este ano não vim fazer votos para 2017, nem tão pouco passar em revista o ano de 2016.

A verdade é que todos os anos tem coisas boas e más e apesar do mundo alardear que 2016 foi um ano trágico, para mim não foi. Foi um ano difícil (como alias já descrevi aqui), foi um ano de grandes decisões, foi o ano em que provavelmente as férias me souberam mais a pouco, pouquíssimo, foi o ano em que fiquei grávida (esta é a novidade!).
E com tudo isto, 2016 é para mim mais um ano para agradecer. Foi mais um ano em que o equilíbrio imperou, em que não perdi o norte nem o rumo, em que o destino não me tirou o chão nem me levou ao tapete, e por isso agradeço.

E para 2017 não vão haver desejos a ser cumpridos, nem votos ou objectivos. Para 2017 quero apenas agradecer ainda mais por tudo o que tenho. Parar para contemplar as variadíssimas coisas que passam por mim todos os dias, incluindo a tristeza e a frustração que por vezes nos assolam. Tenho descoberto que os sentimentos chamados de maus fazem parte de nós, e que evita-los ou não lhes dar a devida atenção não trás nada de bom, pelo contrario. As coisas inevitáveis são melhores se forem sentidas em pleno. Depois disso, esgotam-se, extinguem-se, e o que deixam é apenas força e certeza. Depois de sentida a dor, o que resta é olhar para a frente, com a certeza absoluta que pior nada ficará.

Por isso 2017 vai ser para mim (se Deus e o Destino permitirem), mais um ano de equilíbrio. E para este ano quero apenas calma, fazer as coisas mais devagar, acabar com o multitasking, tratar melhor de mim, ter mais tempo para mim e para as coisas que me dão prazer. E com um "eu" melhor, dar também o melhor de mim aos que me rodeiam.

Que 2017 seja eterno enquanto dure.

Feliz Ano Novo.

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Só porque é Natal

O tempo está frio e miserável lá fora, afinal agora moro num país frio a sério.

Tenho trabalho até á testa, aulas de Holândes que me ocupam imenso tempo de estudo.

Mas não consigo parar de estar feliz.
Life is good!

Coisas que eu um dia escrevi

E que não farão sentido para ninguém a não ser para mim:

A tua barriga ajudou a partir o meu coração em bocadinhos tão pequeninos, mas tão pequeninos, que não sei ainda onde os encontrar nem como os vou voltar a colar.Portanto não, não quero.

Vim reler o blog (coisa que há muito deixei de fazer) porque hoje o meu facebook dizia que neste dia em 2010 eu escrevi: Sometimes you have to break the rules to survive.
E eu tive aquela impressão que este foi o dia, ou esta semana, em que eu decidi mudar o rumo de tudo. Tomar as rédeas da minha vida que durante um ano esteve desgovernada e fazer o MBA (a melhor decisão da minha vida).

Tinha vindo de Madrid onde a I. estava a fazer o MBA, estava em ponto de rutura total, num poço tão fundo que nem o facto de ser o meu mês preferido do ano me fazia ver a luz, e de repente a ideia como que me salvou. Lembro-me de em Janeiro ter ido comprar os livros do GMAT, fazer um plano todo catita e afundar-me a estudar todos os dias.

Há decisões, que apesar de muitos
poderem dizer, tomadas pelas razões erradas nos levam a sítios tão certos. A cadeia de eventos que uma pequena e simples decisão despultou era, em Dezembro de 2010, completamente desconhecida para mim. Mas agora, 6 anos depois, não consigo esconder o quão orgulhosa de mim estou. Vi um caminho, 11 meses depois de ter caído num sitio mau demais para descrever, e não parei até me colocar nessa estrada. Sem dinheiro para pagar o MBA, sem condições para estudar (a minha mãe foi operada em inicio de 2011 e tive que ficar com o meu irmão pequeno), a lutar contra os meus impulsos diários de ceder, só mais uma vez...

Ah caraças, impossible is nothing!

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

2016

Nunca em nenhum outro ano escrevi tão pouco como neste.

Em conversa com as minhas irmãs, tento perceber porque é que graças a Deus 2016 está a acabar. E elas respondem-me coisas como, chumbei o ano, morreu Prince/David/Alan, o Donald ganhou e eu penso "I don't give a damn about then".

Então porque é que 2016 foi um ano tão difícil? Um ano que se arrastou, um ano em que nem nas férias consegui desligar, um ano cansativo?

E a resposta é mais simples do que parece, e tão mais pessoal do que simplesmente algumas pessoas que admirava terem morrido. 2016 foi difícil porque 2016 foi o ano em que decidi colocar o meu irmão no colégio interno. E esse facto mudou o meu ano.

As noites sem dormir a pesar prós e contras, os relatórios das notas que suportavam a minha decisão, a imaturidade dele junto com a recusa em crescer, a responsabilidade da decisão. Sim, responsabilidade minha e de mais ninguém, apesar de como todos me dizem ele ser apenas o meu irmão.

Eu sou responsável pelo crescimento dele, pelo futuro dele, por aquilo que ele se tornar como pessoa. E não sou responsável porque quero ser, sou por assumi que iria ser, porque alguém tem de ser, porque desresponsabilizarmos-nos é muito mais fácil do que matar a cabeça a pensar o que podemos fazer mais com o que temos, dia após dia, ano após ano, e no meu caso há distancia.

E neste momento, apesar de as notas ainda deixarem muito a desejar, acho que pelo menos em termos do desenvolvimento dele como pessoa, alguma coisa tenho feito certo (com a ajuda de quem lá está, obviamente, todos os dias e em quem confio plenamente).
Enche-me de orgulho cada que vez que me diz "meti-me em sarilhos porque fui a ajudar um amigo a quem estavam a bater" ou "meti-me em sarilhos porque defendi uma colega com uma cor de pele diferente quando um outro colega teceu comentários racistas". Nem sei dizer quanto orgulho tenho nele quando coisas destas acontecem, quando percebo que ele é a pessoa que eu queria que ele fosse, bom colega, companheiro, sem medo de ir contra os outros se acha que as coisas estão erradas, corajoso muitas vezes, apesar de ter medo de tudo.

2016 foi difícil, porque muitas vezes fazer a coisa certa é difícil, muito mais difícil do que deixar andar. E com tua a sua dificuldade 2016 está a tornar-se num ano memorável, porque felizmente é preciso muito pouco para me fazer feliz, mas é preciso tanto, mas tanto para derrotar o meu otimismo.

Bom resto de 2016. O meu melhora by the week!

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Sensações

Alguma coisa não está bem. É uma moinha estranha, uma sensação, um desconforto...
Alguma coisa não está bem e não sei o que é. Aborrecimento, cansaço, irritação. Alguma coisa não está bem.

Posso acreditar que seja por causa do meu irmão, um sentir irracional para lá das certezas de estar a fazer a coisa certa. Aquele pensamento constante detrás do meu dia, no meio de uma reunião, durante uma conversa telefónica. É o problema do sentir, está lá, uma coisa a mais que não estava antes, não resolvido, não discutido, a existir simplesmente.

Esforço-me para por em palavras. Tento convencer-me que bem ou mal, não faz mal, só escrever importa, só o tentar perceber porquê é relevante. Porquê este sentimento estranho? O que é que ainda não percebi? Espero constantemente pelo momento "eureka" que desde ontem teima em não aparecer. Pode ser isto ou aquilo, ou tudo ou mesmo nada importante, mas é definitivamente alguma coisa desconhecida que desde ontem me aborrece. E detesto não saber o que é!

Vou usar os truques do costume, uma corrida, 15 minutos de meditação, um banho de espuma, deitar-me na varanda a apanhar sol, dançar...qualquer coisa tem de resultar. Qualquer coisa menos outro dia assim.

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Português

Quero escrever, mas o que sai é uma amalgama de coisas desconexas e sem sentido.
Preciso de tempo para escrever, para remoer nas palavras, deitar-me e rebolar com elas, até consegui pô-las em sentido, a marcha ao meu toque.

Acho que já fui melhor do que sou hoje a escrever. Tenho medo que, do tanto que falo inglês, que o português se esvaia de mim sem dar por isso. Esse pensamento atormenta-me, a minha língua, a língua de Camões, do Eça, de Pessoa, a minha língua que tanta falta me faz, falha-me agora constantemente, não em pensamentos (nesses não) mas nas palavras escritas.
Leio e não gosto, apago, escrevo e deito fora. Olho para o relógio e das 1000 linhas que escrevi não aproveito metade, não quero. Ou sinto o que leio quando escrevo o que sinto, ou então não quero, repudio tudo, carrego guardar e penso que logo volto.

Olho para trás e passei meses sem escrever uma linha.

Já escrevi muito melhor do que hoje, pela prática, pelos livros (até esses agora leio em inglês), pelas noticias, pelas conversas. E quanto mais me tentam enfiar o holandês a força mais sinto o meu corpo a rejeitar qualquer outra língua que não seja o português. Não quero, foda-se, não preciso, deixem-me em paz. E se tentar explicar porque é que tem dias em que só o português faz sentido ninguém vai perceber, eu própria não percebo. A genialidade de Camões, as descrições do Eça, as loucuras de Pessoa, não vale a pena tentar explicar porque agora vivo num mundo em que as pessoas não leram o que eu li, não ouviram o que eu cresci a ouvir, não conhecem os sítios, não sabem as piadas.
A diferença é boa, mas cansa. Preciso de quem me entenda, de não ter de explicar em inglês de maneira simplificada, de não ter de dizer todas as palavras...