sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Por estes dias

Ginásio para mim significa:
- Andar (correr dá-me uma dor nas costas impossível de aguentar)
- Elíptica
- Alongamentos
- Exercícios de braços (muito leves) 

E um cansaço que me mata depois disto. Se escorrer uma pinga é porque já estou a fazer demais...o truque é fazer até conseguir falar. Senão conseguir falar é porque já está a ser demais! É absurdo a quantidade de cansaço que actividades tão simples me dão.
Só de pensar que ainda vou ter de pegar na bicicleta para ir para casa...

Bom fim de semana.

P.S: Estão -2 graus lá fora! A fotografia é só para enganar.

Paises Civilizados

Ou nórdicos, ou apenas a Holanda, não sei. Mas no país onde eu vivo, muita coisa diferente acontece:

- Não há filas em nenhum sitio, excluindo no transito. Nem no banco, nas finanças, no município, nos registos, no médico. Simplesmente filas é um conceito desconhecido aqui. Aqui liga-se, marca-se hora e os horários cumprem-se. Se estás atrasado, esquece, o provável é que nem te atendam porque a seguinte pessoa já vai estar há espera.

- Tudo se trata há primeira, se for relacionado com o governo (empresas privadas, algumas são um caos). Se tenho que ir fazer alguma coisa ás finanças, ligo, marco hora, digo qual é o assunto e assim que desligo recebo um e-mail a dizer-me todos os papeis que devo trazer para resolver aquele assunto especifico.

- A coisa mais importante são os filhos e a família. Nenhuma carreira é prejudicada se depois de se ter filhos se passar a trabalhar apenas 4 dias por semana ou se passar a sair as 17h. Alias, estranho é uma mulher dizer que vai trabalhar 5 dias por semana depois de ter filhos (como eu verifiquei recentemente) e toda a gente sai perto das 17h (com ou sem filhos).

- Os chefes ficam contentes se uma mulher engravida. Não fazem perguntas nenhumas sobre o bebé, o trabalho acumulado, quando é que se vai de licença ou quando é que se volta. Tudo isso é tratado com os RH, como a mãe quiser e apenas depois comunicado ao chefe.

- Não se espera para nada. Para transportes, para ser atendido em qualquer sitio, por outras pessoas em reuniões! Esperar é um conceito que os Holandeses não entendem e para o qual tem paciência nula.

- Nada fica mal em Amesterdão. Não interessa a roupa que tens vestida (ou a ausência dela), quem é que estas a beijar ou o que é que estás a fazer. Ninguém vai olhar para ti duas vezes, ninguém vai comentar, ninguém quer saber o que tu fazes. És livre, se precisares de ajuda grita.

Claro que também há coisas más. Não é Lisboa, não há família nem amigos por perto, o sol e o calor não são tão frequentes...
Isto não é o paraíso na terra, mas estas coisas fazem uma diferença brutal no bem estar do dia-a-dia.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Juro

Tem dias que parece tudo tão fácil que tremo só de pensar no que estar para vir.
Tento explicar isto aos outros, mesmo aos que me conhecem há mais tempo, e ou eles não percebem ou simplesmente acham que estou a ver pelos em ovos e que tenho de parar de pensar nisso.

A minha questão é simples: nunca nada foi fácil. E neste momento o meu trabalho está um sonho (mesmo tendo contado ontem ao meu chefe o meu novo estado), o meu casamento corre calmo e tranquilo, o meu irmão está bem, a minha mãe com todos os seus problemas está estável. Está tudo bem. Sinistro!

Vou aproveitar, mas não consigo deixar de pensar nisto.

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Terças que parecem Segundas

A culpa é minha neste caso, 9 em 10 vezes a TAP atrasa-se no voo das 19.55h, e eu continuo a marca-lo. A culpa é minha por continuar a insistir.

Deitei-me perto das 3h da manha e já estou a trabalhar há mais de uma hora.

Não há café que me salve hoje, o meu pequeno almoço foi a sandes que a TAP ofereceu ontem no avião e estou no fundo do poço no que ao cansaço diz respeito. 

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Para os meus leitores

E porque este ano quero escrever mais, quero partilhar mais, quero dar mais ao mundo...
Podem corresponder-se comigo a partir de hoje pelo e-mail

aculpanaoeminhaetua@gmail.com



2017

Este ano não vim fazer votos para 2017, nem tão pouco passar em revista o ano de 2016.

A verdade é que todos os anos tem coisas boas e más e apesar do mundo alardear que 2016 foi um ano trágico, para mim não foi. Foi um ano difícil (como alias já descrevi aqui), foi um ano de grandes decisões, foi o ano em que provavelmente as férias me souberam mais a pouco, pouquíssimo, foi o ano em que fiquei grávida (esta é a novidade!).
E com tudo isto, 2016 é para mim mais um ano para agradecer. Foi mais um ano em que o equilíbrio imperou, em que não perdi o norte nem o rumo, em que o destino não me tirou o chão nem me levou ao tapete, e por isso agradeço.

E para 2017 não vão haver desejos a ser cumpridos, nem votos ou objectivos. Para 2017 quero apenas agradecer ainda mais por tudo o que tenho. Parar para contemplar as variadíssimas coisas que passam por mim todos os dias, incluindo a tristeza e a frustração que por vezes nos assolam. Tenho descoberto que os sentimentos chamados de maus fazem parte de nós, e que evita-los ou não lhes dar a devida atenção não trás nada de bom, pelo contrario. As coisas inevitáveis são melhores se forem sentidas em pleno. Depois disso, esgotam-se, extinguem-se, e o que deixam é apenas força e certeza. Depois de sentida a dor, o que resta é olhar para a frente, com a certeza absoluta que pior nada ficará.

Por isso 2017 vai ser para mim (se Deus e o Destino permitirem), mais um ano de equilíbrio. E para este ano quero apenas calma, fazer as coisas mais devagar, acabar com o multitasking, tratar melhor de mim, ter mais tempo para mim e para as coisas que me dão prazer. E com um "eu" melhor, dar também o melhor de mim aos que me rodeiam.

Que 2017 seja eterno enquanto dure.

Feliz Ano Novo.

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Só porque é Natal

O tempo está frio e miserável lá fora, afinal agora moro num país frio a sério.

Tenho trabalho até á testa, aulas de Holândes que me ocupam imenso tempo de estudo.

Mas não consigo parar de estar feliz.
Life is good!

Coisas que eu um dia escrevi

E que não farão sentido para ninguém a não ser para mim:

A tua barriga ajudou a partir o meu coração em bocadinhos tão pequeninos, mas tão pequeninos, que não sei ainda onde os encontrar nem como os vou voltar a colar.Portanto não, não quero.

Vim reler o blog (coisa que há muito deixei de fazer) porque hoje o meu facebook dizia que neste dia em 2010 eu escrevi: Sometimes you have to break the rules to survive.
E eu tive aquela impressão que este foi o dia, ou esta semana, em que eu decidi mudar o rumo de tudo. Tomar as rédeas da minha vida que durante um ano esteve desgovernada e fazer o MBA (a melhor decisão da minha vida).

Tinha vindo de Madrid onde a I. estava a fazer o MBA, estava em ponto de rutura total, num poço tão fundo que nem o facto de ser o meu mês preferido do ano me fazia ver a luz, e de repente a ideia como que me salvou. Lembro-me de em Janeiro ter ido comprar os livros do GMAT, fazer um plano todo catita e afundar-me a estudar todos os dias.

Há decisões, que apesar de muitos
poderem dizer, tomadas pelas razões erradas nos levam a sítios tão certos. A cadeia de eventos que uma pequena e simples decisão despultou era, em Dezembro de 2010, completamente desconhecida para mim. Mas agora, 6 anos depois, não consigo esconder o quão orgulhosa de mim estou. Vi um caminho, 11 meses depois de ter caído num sitio mau demais para descrever, e não parei até me colocar nessa estrada. Sem dinheiro para pagar o MBA, sem condições para estudar (a minha mãe foi operada em inicio de 2011 e tive que ficar com o meu irmão pequeno), a lutar contra os meus impulsos diários de ceder, só mais uma vez...

Ah caraças, impossible is nothing!

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

2016

Nunca em nenhum outro ano escrevi tão pouco como neste.

Em conversa com as minhas irmãs, tento perceber porque é que graças a Deus 2016 está a acabar. E elas respondem-me coisas como, chumbei o ano, morreu Prince/David/Alan, o Donald ganhou e eu penso "I don't give a damn about then".

Então porque é que 2016 foi um ano tão difícil? Um ano que se arrastou, um ano em que nem nas férias consegui desligar, um ano cansativo?

E a resposta é mais simples do que parece, e tão mais pessoal do que simplesmente algumas pessoas que admirava terem morrido. 2016 foi difícil porque 2016 foi o ano em que decidi colocar o meu irmão no colégio interno. E esse facto mudou o meu ano.

As noites sem dormir a pesar prós e contras, os relatórios das notas que suportavam a minha decisão, a imaturidade dele junto com a recusa em crescer, a responsabilidade da decisão. Sim, responsabilidade minha e de mais ninguém, apesar de como todos me dizem ele ser apenas o meu irmão.

Eu sou responsável pelo crescimento dele, pelo futuro dele, por aquilo que ele se tornar como pessoa. E não sou responsável porque quero ser, sou por assumi que iria ser, porque alguém tem de ser, porque desresponsabilizarmos-nos é muito mais fácil do que matar a cabeça a pensar o que podemos fazer mais com o que temos, dia após dia, ano após ano, e no meu caso há distancia.

E neste momento, apesar de as notas ainda deixarem muito a desejar, acho que pelo menos em termos do desenvolvimento dele como pessoa, alguma coisa tenho feito certo (com a ajuda de quem lá está, obviamente, todos os dias e em quem confio plenamente).
Enche-me de orgulho cada que vez que me diz "meti-me em sarilhos porque fui a ajudar um amigo a quem estavam a bater" ou "meti-me em sarilhos porque defendi uma colega com uma cor de pele diferente quando um outro colega teceu comentários racistas". Nem sei dizer quanto orgulho tenho nele quando coisas destas acontecem, quando percebo que ele é a pessoa que eu queria que ele fosse, bom colega, companheiro, sem medo de ir contra os outros se acha que as coisas estão erradas, corajoso muitas vezes, apesar de ter medo de tudo.

2016 foi difícil, porque muitas vezes fazer a coisa certa é difícil, muito mais difícil do que deixar andar. E com tua a sua dificuldade 2016 está a tornar-se num ano memorável, porque felizmente é preciso muito pouco para me fazer feliz, mas é preciso tanto, mas tanto para derrotar o meu otimismo.

Bom resto de 2016. O meu melhora by the week!

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Sensações

Alguma coisa não está bem. É uma moinha estranha, uma sensação, um desconforto...
Alguma coisa não está bem e não sei o que é. Aborrecimento, cansaço, irritação. Alguma coisa não está bem.

Posso acreditar que seja por causa do meu irmão, um sentir irracional para lá das certezas de estar a fazer a coisa certa. Aquele pensamento constante detrás do meu dia, no meio de uma reunião, durante uma conversa telefónica. É o problema do sentir, está lá, uma coisa a mais que não estava antes, não resolvido, não discutido, a existir simplesmente.

Esforço-me para por em palavras. Tento convencer-me que bem ou mal, não faz mal, só escrever importa, só o tentar perceber porquê é relevante. Porquê este sentimento estranho? O que é que ainda não percebi? Espero constantemente pelo momento "eureka" que desde ontem teima em não aparecer. Pode ser isto ou aquilo, ou tudo ou mesmo nada importante, mas é definitivamente alguma coisa desconhecida que desde ontem me aborrece. E detesto não saber o que é!

Vou usar os truques do costume, uma corrida, 15 minutos de meditação, um banho de espuma, deitar-me na varanda a apanhar sol, dançar...qualquer coisa tem de resultar. Qualquer coisa menos outro dia assim.

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Português

Quero escrever, mas o que sai é uma amalgama de coisas desconexas e sem sentido.
Preciso de tempo para escrever, para remoer nas palavras, deitar-me e rebolar com elas, até consegui pô-las em sentido, a marcha ao meu toque.

Acho que já fui melhor do que sou hoje a escrever. Tenho medo que, do tanto que falo inglês, que o português se esvaia de mim sem dar por isso. Esse pensamento atormenta-me, a minha língua, a língua de Camões, do Eça, de Pessoa, a minha língua que tanta falta me faz, falha-me agora constantemente, não em pensamentos (nesses não) mas nas palavras escritas.
Leio e não gosto, apago, escrevo e deito fora. Olho para o relógio e das 1000 linhas que escrevi não aproveito metade, não quero. Ou sinto o que leio quando escrevo o que sinto, ou então não quero, repudio tudo, carrego guardar e penso que logo volto.

Olho para trás e passei meses sem escrever uma linha.

Já escrevi muito melhor do que hoje, pela prática, pelos livros (até esses agora leio em inglês), pelas noticias, pelas conversas. E quanto mais me tentam enfiar o holandês a força mais sinto o meu corpo a rejeitar qualquer outra língua que não seja o português. Não quero, foda-se, não preciso, deixem-me em paz. E se tentar explicar porque é que tem dias em que só o português faz sentido ninguém vai perceber, eu própria não percebo. A genialidade de Camões, as descrições do Eça, as loucuras de Pessoa, não vale a pena tentar explicar porque agora vivo num mundo em que as pessoas não leram o que eu li, não ouviram o que eu cresci a ouvir, não conhecem os sítios, não sabem as piadas.
A diferença é boa, mas cansa. Preciso de quem me entenda, de não ter de explicar em inglês de maneira simplificada, de não ter de dizer todas as palavras...

quarta-feira, 1 de junho de 2016

A minha primeira reunião de condomínio

Acho que se fosse em Portugal não seria diferente, uma seca! Mas pelo menos eu percebia tudo o que estava a ser dito...
A capacidade das pessoas embirrarem com vírgulas pasma-me, a quantidade de tempo gasto inutilmente também é o facto de se terem de escrever algumas regras, parece-me extremamente redundante, especialmente num país tão civilizado como este. Mas como os holandeses gostam de uma regra, Deus!!! Regras e horas, adoram.

terça-feira, 17 de maio de 2016

E preciso adorar este país...

17.30h e sou a ultima a sair.

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Gerir

Eu podia ter outro curso, mas de facto gerir está na minha natureza. É uma coisa para a qual eu creio nem necessitava de ter tirado um curso.
Há distancia ou perto, seja uma decisão difícil ou fácil, sejam contas e dinheiro, colégios, discussões ou birras, eu creio que faço este trabalho de múltiplas faces, de cuidar da minha vida e dos que, queira eu ou não, dependem da minha gestão, parecer uma coisa fácil.
A maioria dos dias é fácil, para mim que o faço há mais de 10 anos, e que tenho pessoas que me ajudam. Mas quando conto a alguém, as pessoas acham que eu sou misturada de ET, sentem pena, ficam tristes, dizem que sentem muito a situação. Eu sorriu e digo que não é nada, que está tudo bem.

Na minha cabeça eu sei que podia tudo ser tão pior, afinal tem-me a mim e eu tenho tanta gente que me ajuda. Se pensar no quão pior podia ser, só agradeço o quão bem eu consigo gerir tudo, o quão equilibrada a minha vida é, mesmo que longe da normalidade da vida alheia.

Que os momentos em que desespero sejam poucos, que faça as escolhas certas mesmo que difíceis, que saiba sempre quando errei e volte atrás no meu julgamento. E que o pior a sério nunca mais volte.

sexta-feira, 6 de maio de 2016

No mercado

Um dia de ferias e decidi ir ao mercado e finalmente comprar peixe fresco! Voltas e voltas e acabei por comprar 2 lagostas, vivas.
Pior, trouxe-as vivas para casa e pu-las no frigorífico, vivas.
Uma penitência todo o caminho até casa e mais penitência ainda, à espera até alguém as matar. Sim, só as trouxe porque sabia que alguém ia fazer esse serviço sem ser eu.
Uma angustia sem sentido, por não saber se elas estavam a sofrer ou não, sem saber sequer se elas percebem o que lhes vai acontecer. A prova, provada, que se eu tivesse de matar para comer seria vegetariana.
Costumo dizer que o meu gato, é tão mimado e mariquinhas que não durava 2 minutos lá fora. E afinal ele é como eu, eu também não durava 2 minutos lá fora.
Sad, but true.