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terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Sabes quando é que eu te vou dizer?!...Nunca!

Não pensem que eu ontem não escrevi...escrevo todos os dias, mesmo quando tenho apresentações gigantes para preparar!!

Faz-me bem ao espírito, sabe-me bem por tudo cá para fora e dizer o que sinto quando sinto. É como ir treinar, exorciza-me dos demónios que, às vezes, trago cá dentro.

Porque é que eu não publiquei?! Porque às vezes é melhor não dizer nada. Porque já disse tantas vezes antes em vão, que agora simplesmente as palavras não me saem. Porque não tenho coragem para ouvir a resposta que vai vir do outro lado. Porque quando decido ganhar coragem há sempre alguma situação que me faz mudar de ideias e voltar para a minha conchinha onde tudo é seguro e conhecido!

"O medo voltou outra vez e instalou-se numa cadeira, aos pés da minha cama. Olha para mim todas as noites, antes de me deixar adormecer, e diz, com voz de mulher: Não vais cometer os mesmos erros, pois não?" In Alma de Pássaro - Margarida Rebelo Pinto.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Pedras no caminho?


"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,
mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo.
E que posso evitar que ela vá a falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios,incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um 'não'.
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.

Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo."

(Fernando Pessoa)

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Alma de Pássaro

Gosto deste livro. Alma de pássaro - Margarida Rebelo Pinto.

"Acordo todas as manhãs com este zumbido e a certeza que não vais voltar. Cansada de me convencer que, apesar e acima do teu individualismo estava a tal inevitabilidade a que nos submetemos e chamamos amor. Pensei que, com todo o amor que sentia por ti te iria suavizar o coração e de alguma forma fazer parte do teu equilíbrio, tornando-me subtilmente indispensável. Hélas. Nunca pensei enganar-me tanto. Mas só agora percebo que o teu amor por mim não foi uma inevitabilidade, mas uma escolha. Alguém que te chamou a atenção e que um dia decidiste que querias atravessar, com a intuição certeira de um animal selvagem que procura refugio temporário, quando está cansado. Sei que não vinhas a fugir de nada, nem à procura de coisa nenhuma. Mas acho que quando eras pequeno te arrancaram uma parte de ti, e desde então ficaste incompleto e perdeste, quem sabe talvez para sempre, a capacidade de adormecer nos braços de alguém sem que penses no perigo de ficar na armadilha do carinho para todo o sempre. Não, o teu amor por mim, volto a dizê-lo, não foi uma inevitabilidade, mas uma escolha feita com a leveza e a frontalidade com que fazes tudo na vida. Por isso te foi tão linear - e repara que não escrevo a palavra fácil - escolher outro caminho.Mas não foi assim para mim. Entraste a 200 à hora na minha vida, e quando te vi pela primeira vez a passar a porta da minha casa onde viveste quase um ano quase todos os dias, deixei-me levar por essa inevitabilidade, submetendo-me a tudo o que depois se seguiu, e chamando-lhe amor. Um amor total, gratuito, despojado, com o corpo, a cabeça e o coração todos enterrados lá dentro."

"O amor é sempre assim: não se procura, encontra-se."

"Os amigos não se julgam."

"Quando se leva um pontapé no ego, só há duas coisas a fazer: cair ou reagir."

"Ou andamos todos aqui a comer-nos uns aos outros, e só eu é que sou tão estúpida que não dou por nada?"

"Hoje estou aqui, amanhã posso estar do outro lado do mundo a apanhar bananas, se me der na cabeça."

"Suavizou-me o coração e fez-me sentir que afinal não era só um tipo com pila, também tinha alma, que não era um filho da put* mas uma pessoa perfeitamente normal."

"Quando uma mulher gosta mesmo de um homem aguenta tudo, espera o tempo que for preciso, não há nada que não faça para poder ficar com ele."

"Mostrar fraqueza é uma forma de mostrar força."

"Ela desperta o meu melhor lado, com ela não consigo ser bruto ou agressivo, nem sequer frio. É como se possuísse a formula secreta para me aquecer o coração."

"A felicidade é a coisa mais irritante do mundo, uma utopia idiota e hipócrita, inventada por um cretino qualquer. A felicidade é uma coisa insuportável, um mito incomodo que só serve para nos fazer sentir ainda mais infelizes."

"Porque é que amar alguém implica esta entrega, e esta dependência e todo o sofrimento que dai pode vir? Porque é que não sabemos amar e deixar voar aqueles que amamos?"

"Ainda não aprendi a deixar partir aqueles que amo."

"Amar alguém é deixá-lo partir, olhar o céu e ver na dança da lua um momento qualquer em que talvez voltes, sem nada pedir, nem nunca esperar."

"Amei-te demais para não te odiar."

"Usamo-nos todos uns aos outros e chamamos a isso amor. E, quando já não nos podemos usar uns aos outros chamamos a isso ódio."

"Tu não desenvolves, não te deixas ir, não te perdes, no último momento defendes-te sempre com um jogo de cintura invejável e, com a tua implacável lucidez cartesiana, tens sempre para ti e para os outros as mais fundamentadas e lógicas justificações. Não passas de um atrasado emocional, consciente das tuas limitações, mas sem nenhuma vontade de as ultrapassar.Houve momentos em que invejei essa tua autonomia e independência, que te fazem tão inexpugnável. Mas agora não. Deve ser horrível desligar da vida, como se nos tirassem da ficha com um gesto brusco e desumano."

"Quando se consegue juntar sexo e amor: o padrão torna-se tão alto que é muito difícil, quase impossível lá voltar."

"O medo voltou outra vez e instalou-se numa cadeira, aos pés da minha cama. Olha para mim todas as noites antes, antes de me deixar adormecer, e diz, com voz de mulher: Não vais cometer os mesmos erros pois não?"

"Amar deve ser isto: deixar partir aqueles que amamos, porque, se os amamos, já os temos para sempre connosco. Amar talvez seja a melhor forma de ter alguém, e ter alguém talvez seja a pior forma de amar."

"Hoje voltei por ti, mas não para ti."

"Se ele fosse um animal, era um gato, arisco, orgulhoso, misterioso, independente. E, se fosse uma palavra, era talvez."

"Não se pede amor a ninguém, nem se dá a quem não merece."

"Oiço o estalar metálico do elevador a chegar. Logo a seguir, o instante preciso em que a porta se abre, inundando o patamar de luz indirecta. Ele sai rapidamente, dá dois passos largos já virado para a minha porta que abro no segundo que acho que é o certo. E agora, no momento eterno e irrepetivel que sempre antecede os nossos reencontros, só mais um passo nos separa. Mas já não oiço nada, as suas mãos, a sua boca, tudo o que ele é está aqui, junto do meu corpo e em cima dele, por todo lado inundando-me de êxtase, prazer e, de uma forma qualquer, de amor. O Miguel está aqui, o Miguel, o meu Miguel. Repito baixinho, acertando o ritmo das silabas com o pulsar do meu coração. Mi-guel, Mi-guel. Miguel, é engraçado como amamos o nome daqueles que amamos."

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Vontades violentas

"Encostei o meu braço ao teu e comecei a transpirar.
Senti uma vontade violenta de me desmoronar em ti.
Não, não era fazer amor. Fazer amor não existe, porra, o amor não se faz. O amor desaba sobre nós já feito, não o controlamos – por isso o sistema se cansa tanto a substituí-lo pelo sexo, coisa gráfica, aparentemente moldável. Também não era foder, fornicar, copular – essas palavras violentas com que tentamos rebentar o amor.
Como se fosse possível.
Como se o amor não fosse exactamente essa fornicação metafísica que não nos diz respeito – sofremos-lhe apenas os estilhaços, que nos roubam vida e vontade.
Eu queria oferecer-te o meu corpo para que o absorvesses no teu. Para que me fizesses desaparecer nos teus ossos.
Eu, educado no preceito alimentar de que os rapazes comem as raparigas, depois de uma vida inteira de domínio dos talheres queria agora ser comido por ti. Queria entregar-me nas tuas mãos."

Inês Pedrosa - Fazes-me Falta